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18 deltas de rios afundam mais rápido que o mar sobe

Pesquisa global com satélites aponta que subsidência terrestre supera aumento do mar em grandes deltas

Mapa mostra o Delta do Nilo/Divulgação

Uma nova pesquisa global revelou que grandes deltas de rios — incluindo sistemas conhecidos como os do Delta do Nilo, Delta do Ganges‑Brahmaputra e o da Delta do Rio Mississippi — estão afundando em ritmo mais rápido do que o nível do mar está subindo, ampliando de forma significativa os riscos associados às mudanças climáticas e à ocupação humana nessas regiões costeiras. O achado foi publicado na revista Nature com base em observações de satélites que cobriram 40 dos maiores deltas do planeta entre 2014 e 2023.

Os deltas são planícies costeiras formadas pela deposição de sedimentos quando um rio encontra um corpo de água maior, como um oceano ou um mar. Essas áreas são extremamente férteis e, historicamente, se tornaram centros de civilização e agricultura, além de abrigarem grandes populações urbanas e centros econômicos — como acontece no Egito (delta do Nilo), em partes da Índia e Bangladesh (delta do Ganges-Brahmaputra), ou no sul dos Estados Unidos (delta do Mississippi).

Afundamento dos deltas

Os pesquisadores utilizaram dados do satélite Sentinel-1, que mensura as mudanças finas na elevação da superfície terrestre usando radar, para mapear como o solo se move em deltas ao longo do tempo. A análise mostrou que em 18 dos maiores deltas estudados, o processo de subsidência — ou afundamento do terreno — já supera a taxa de elevação do nível do mar, o que significa que, em muitas áreas costeiras, o nível relativo da água está subindo mais por causa do afundamento do solo do que por causa do próprio aumento global dos oceanos.

Essa subsidência é em grande parte causada por atividades humanas, especialmente a extração intensiva de água subterrânea, que faz com que o solo se compacte e perca elevação — fenômeno observado em mais de um terço dos deltas analisados. Outros fatores que contribuem incluem expansão urbana, redução do aporte de sedimentos pelo rio (por barragens e outras intervenções) e mudanças no uso da terra.

O fato de os deltas estarem afundando mais rápido que o mar sobe agrava os riscos de inundações costeiras, intrusão de água salgada em aquíferos e solos agrícolas, erosão acelerada e perda de terras habitáveis. Esses riscos são particularmente agudos em regiões densamente povoadas ou com infraestrutura vulnerável, muitas vezes em países em desenvolvimento ou com recursos limitados para adaptação e mitigação.

Somados aos efeitos da mudança climática — incluindo elevação global do nível dos oceanos provocada pelo aquecimento das águas e o derretimento de geleiras — esses fatores configuram um “duplo fardo” para deltas de rios do mundo, que enfrentam a combinação perigosa de avanço das águas e afundamento da terra.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.