Fósseis indicam que outra espécie humana pode ter deixado a África antes do Homo erectus
Estudo com fósseis de Dmanisi sugere que mais de uma espécie humana pode ter migrado para fora da África há 1,8 milhão de anos

Uma nova pesquisa com fósseis humanos encontrados na República da Geórgia está reacendendo o debate sobre as primeiras migrações humanas para fora da África.
A análise sugere que o Homo erectus pode não ter sido a única, nem a primeira, espécie humana a deixar o continente africano há cerca de 1,8 milhão de anos.
O estudo se baseia em fósseis descobertos em Dmanisi, um sítio arqueológico localizado no topo de uma colina no sul da Geórgia.
Escavações iniciadas há mais de três décadas revelaram cinco crânios humanos antigos, considerados alguns dos vestígios mais antigos de hominídeos já encontrados fora da África.
Desde então, os fósseis vêm gerando controvérsia devido à grande variação anatômica entre os indivíduos.
Divergências entre os pesquisadores
Enquanto parte da comunidade científica sustenta que todos os fósseis pertencem ao Homo erectus, atribuindo as diferenças a fatores como sexo ou idade, outros pesquisadores defendem que o conjunto representa mais de uma espécie humana.
Entre as hipóteses levantadas está a presença de uma linhagem mais primitiva, possivelmente próxima aos australopitecos, coexistindo com formas iniciais do gênero Homo.
Diferentemente de pesquisas anteriores, que se concentraram principalmente nos crânios, o novo estudo analisou dentes fósseis.
Os pesquisadores examinaram 24 dentes de três indivíduos de Dmanisi e os compararam com mais de 500 dentes de outras espécies, incluindo australopitecos, Homo habilis, Homo erectus e humanos modernos.
Os resultados indicaram a existência de dois padrões distintos: um mais próximo de ancestrais antigos e outro alinhado a humanos primitivos.
O que mostram os dados
Segundo os autores, as diferenças foram especialmente evidentes nos dentes da arcada superior.
Embora parte da variação possa ser explicada por dimorfismo sexual, os pesquisadores argumentam que algumas características, como o tamanho dos terceiros molares, fogem do padrão observado dentro de uma única espécie humana.
De acordo com informações da revista Live Science, especialistas que não participaram do estudo afirmam que os achados fortalecem a hipótese de múltiplas linhagens humanas em Dmanisi. Caso essa interpretação esteja correta, ela indica que uma espécie mais antiga e menos derivada do que o Homo erectus pode ter deixado a África muito antes do que se acreditava.
Ainda assim, os próprios cientistas alertam que as evidências não são conclusivas. Outras análises sugerem que os fósseis poderiam pertencer a uma única espécie altamente variável. O debate permanece em aberto, mas os novos dados ampliam a compreensão sobre a complexidade da evolução humana e das primeiras migrações fora da África.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli