Museu Britânico procura “caçador de tesouros” para achar itens
Instituição planeja reforçar sua equipe com especialista dedicado a localizar tesouros roubados ou extraviados antes que desapareçam

Caçar tesouros como Indiana Jones parece ter se tornado uma função real. O Museu Britânico, um dos museus mais famosos do mundo sediado em Londres, anunciou que está procurando contratar um “caçador de tesouros” moderno — um profissional especializado em rastrear e recuperar artefatos históricos que desapareceram de suas coleções ao longo dos últimos anos. A iniciativa acontece no contexto de um grande esforço para recuperar centenas de itens que foram roubados, perdidos ou retirados de forma irregular, muitos dos quais ainda não foram localizados.
Em 2023, o museu revelou que aproximadamente 1.500 peças valiosas de sua coleção de arte grega e romana estavam faltando, incluindo joias de ouro, pedras semipreciosas, vidros antigos e pequenas esculturas que datam desde o século 15 a.C. até o século 19 d.C.. Desde então, cerca de 654 desses artefatos já foram recuperados, mas muitos ainda permanecem desaparecidos.
Caçador de tesouros
A nova função pretende concentrar esforços em localizar os itens restantes antes que sejam destruídos, derretidos (no caso do ouro) ou vendidos em leilões privados e mercados de arte clandestinos. O candidato selecionado terá como tarefas principais contatar negociações com comerciantes de arte, casas de leilão, colecionadores e outros intermediários internacionais, na tentativa de obter pistas ou identificar objetos que possam ter vindo do acervo do museu.
Segundo o professor Thomas Harrison, responsável pela coleção de arte grega e romana que coordena a operação de retorno das peças, é essencial expandir a equipe dedicada à recuperação, já que o grupo atual é pequeno e acumula essa missão junto a outras tarefas rotineiras do museu. “Queremos avançar rapidamente na devolução dos itens”, disse Harrison em entrevista ao London Times, destacando a urgência do trabalho.
O trabalho de recuperação já rendeu resultados notáveis; por exemplo, parte dos artefatos foi identificada em listagens online, incluindo plataformas como o eBay, onde um item de joalheria romana, avaliado em cerca de US$ 60 mil, chegou a ser anunciado por apenas US$ 48 antes de ser recuperado.
Além de buscar diretamente os artefatos, o “caçador de tesouros” também ajudará na pesquisa em arquivos e registros históricos do próprio museu, para verificar possíveis falhas de registro e impedir que outras peças sejam inadvertidamente consideradas como parte da coleção quando, na verdade, estejam faltando.