Arqueólogos descobrem mosaico romano raro com Nó de Salomão
Achado na Turquia revela símbolos de proteção e práticas visuais da Antiguidade Tardia em piso de mosaico decorado

Arqueólogos que escavam o sítio da antiga cidade de Smyrna, sob a superfície de Izmir — na Turquia moderna — desenterraram um piso de mosaico excepcional que data do período Romano Tardio (séculos IV a VI d.C.), adornado com um símbolo conhecido como Nó de Salomão no centro de sua composição geométrica. A descoberta foi feita durante trabalhos contínuos no setor da North Street da antiga agora (praça pública), como parte do projeto estatal Heritage for the Future, que visa proteger e pesquisar vestígios arqueológicos sob áreas urbanas densamente construídas.
O mosaico mede cerca de 3 × 4 metros e é composto por painéis geométricos entrelaçados de doze lados, com padrões vegetais e ornamentos ao redor da figura central. O destaque artístico — e o elemento que chamou mais atenção dos pesquisadores — é o Nó de Salomão, um motivo formado por laços cruzados e interligados, tradicionalmente considerado um símbolo de proteção espiritual usado em diferentes culturas ao longo dos séculos.
Nó em mosaico
Esse tipo de nó aparece em mosaicos romanos antigos, iconografia judaica e arte islâmica, e muitas vezes foi interpretado como um talismã apotropaico, destinado a proteger espaços ou pessoas contra o que antigamente se entendia como forças negativas, inveja ou o chamado mau-olhado. Sua presença, combinada com pequenos motivos de cruz ao redor, sugere um linguagem visual complexa em que elementos tradicionais coexistiam com iconografias emergentes no fim da Antiguidade Tardia.
Segundo afirmou ao Turkiye Today o professor Akın Ersoy, que lidera as escavações pela Universidade Izmir Katip Çelebi, o edifício onde o mosaico foi encontrado ainda não teve sua função claramente identificada: pode ter sido uma residência de prestígio ou um espaço semi-público, dada sua localização ao longo de uma rua importante da antiga cidade. Mas o uso de símbolos protetores no piso sugere que o espaço tinha significado especial para seus ocupantes ou frequentadores.
Outro aspecto notável da descoberta é que o mosaico foi reutilizado muitos séculos depois de sua criação original. Evidências de reboco de parede sobre o piso indicam que, no século XIX, estruturas ligadas a um hospital não-muçulmano ou a residências vizinhas foram construídas diretamente sobre o mosaico, o que significa que ele permaneceu visível e valorizado por gerações posteriores.
A descoberta é especialmente significativa porque penas poucos pavimentos de mosaico foram identificados em Smyrna nas últimas décadas, e encontrar um novo piso com um motivo simbólico tão claro é raro. Os pesquisadores pretendem expandir as escavações em 2026 para verificar se outros ambientes ou contextos arquitetônicos relacionados a esse mosaico podem surgir.