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Ação dos EUA na Venezuela ‘torna o mundo menos seguro’, determina ONU

Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos atesta que operação dos EUA que capturou Nicolás Maduro na Venezuela viola o direito internacional e compromete a segurança global

Registro de Nicolás Maduro capturado e fotografia de Donald Trump / Crédito: Getty Images

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou, nesta terça-feira, 6, a necessidade de que a comunidade internacional se posicione firmemente contra a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, classificada como uma violação do direito internacional que compromete a segurança global.

Recentemente, as forças americanas realizaram uma operação surpresa que resultou na destituição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado em solo americano de crimes graves, incluindo narcotráfico. Em meio a esse tumulto político, a vice-presidente do país assumiu o comando interino, repercute a CNN Brasil.

Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório da ONU, enfatizou que “é evidente que a operação minou um princípio fundamental do direito internacional: os Estados não devem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. A comunidade internacional precisa se unir em uma só voz para insistir nisso”, destacou.

Shamdasani também alertou que essa intervenção não representa um avanço para os direitos humanos, mas sim uma ameaça à estrutura de segurança internacional. Segundo ela, essa situação “transmite a mensagem de que os poderosos podem fazer o que bem entenderem”, o que tende a aumentar a instabilidade global.

A porta-voz reiterou que o futuro da Venezuela deve ser determinado unicamente por seu povo e expressou preocupação de que a militarização e instabilidade agravam ainda mais as questões relacionadas aos direitos humanos no país.

Queda de Nicolás Maduro

A queda de Maduro trouxe consigo um cenário caótico, com ele e sua esposa, Cilia Flores, sendo capturados pelas forças dos EUA em Caracas. Durante sua primeira aparição no tribunal em Nova York, ambos se declararam inocentes das acusações de tráfico de drogas e posse ilegal de armas. Maduro afirmou categoricamente: “Eu ainda sou o presidente do meu país”.

A próxima audiência está agendada para 17 de março, e até o momento, nem Maduro nem Flores solicitaram fiança ou libertação imediata. No cenário interno da Venezuela, Delcy Rodríguez, uma aliada próxima de Maduro, assumiu a presidência interina na segunda-feira, 5. Enquanto isso, o presidente Donald Trump tem reiterado que mantém controle sobre a situação e não descarta uma possível intervenção militar adicional caso o regime não colabore.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.