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Coluna romana de 1.840 anos recebe restauração a laser

Tecnologia de ponta é usada para limpar e preservar a Coluna de Marco Aurélio, revelando detalhes martelados no mármore

Coluna
Coluna de Marco Aurélio - Getty Images

Uma das mais impressionantes obras monumentais da Roma antiga está passando por uma restauração inovadora e cara: a Coluna de Marco Aurélio, um pilar comemorativo construído entre 180 e 193 d.C., está sendo limpa com tecnologia a laser em um projeto que custa cerca de US$ 2,3 milhões (aproximadamente R$ 11,5 milhões). O trabalho é considerado um dos usos mais extensivos até hoje de lasers em um monumento histórico desta era.

Localizada na Piazza Colonna, no coração de Roma, a coluna celebra as vitórias do imperador e filósofo Marco Aurélio contra tribos ao longo do Danúbio — história que aparece em um intrincado friso espiralado que envolve toda a estrutura com mais de 2 000 figuras esculpidas. Cada volta do friso representa episódios de guerra, soldados, prisioneiros e até divindades, proporcionando um raro vislumbre visual da arte narrativa romana.

Coluna romana

Com cerca de 1 840 anos, a pedra sofreu o acúmulo de poluição atmosférica, sujeira e desgaste natural, que escureceram e deterioraram a superfície do mármore de Carrara. A restauração, que começou na primavera de 2025, emprega lasers de pulso curto portáteis operados por uma equipe de cerca de 18 especialistas, que removem camadas de depósitos sem danificar o friso ou a pedra original. Os lasers funcionam gerando rajadas intensas de luz que aquecem e levantam as partículas de sujeira, revelando o branco original do mármore e os detalhes finos da escultura.

Segundo os restauradores, esse método, embora mais caro que as técnicas tradicionais com escovas e ferramentas manuais, oferece melhores resultados e preserva com maior fidelidade o material histórico. A chefe de restauro afirmou que a tecnologia garante respeito ao mármore e às patinas naturais que contam parte da história da coluna — evidências visuais da passagem do tempo que são valiosas para pesquisadores e conservadores.

A restauração deve ser concluída no início de 2026, permitindo que estudiosos e turistas voltem a apreciar os detalhes exuberantes da narrativa épica talhada na pedra, agora visíveis como talvez nunca antes desde a sua construção quase dois milênios atrás.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.