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Tailândia e Camboja concordam com cessar-fogo ‘imediato’ em confrontos mortais

Em declaração, Tailândia e Camboja se comprometem com cessar-fogo, interrompendo ataques e destacamentos de tropas em área de fronteira

Restos de artilharia utilizada em conflitos entre Tailândia e Camboja / Crédito: Getty Images

Camboja e Tailândia firmaram um acordo de cessar-fogo imediato, com a intenção de pôr fim a semanas de intensos combates na fronteira que resultaram na morte de mais de 100 pessoas e na deslocação de mais de 500 mil cidadãos em ambos os países.

O entendimento foi divulgado em uma declaração conjunta das duas nações do sudeste asiático, informando que o cessar-fogo entrará em vigor no sábado ao meio-dia, horário local. O acordo abrange “todos os tipos de armas, incluindo ataques contra civis, bens e infraestruturas civis e objetivos militares de ambos os lados, em todos os casos e em todas as áreas”.

Os ministros da Defesa dos dois países confirmaram em comunicado que “ambos os lados concordam em manter os atuais destacamentos de tropas sem novas movimentações”. A nota emitida pelo ministério da Defesa do Camboja alerta que “qualquer reforço militar aumentaria as tensões e afetaria negativamente os esforços a longo prazo para resolver a situação”.

Além do cessar-fogo, Tailândia e Camboja também se comprometeram a colaborar em iniciativas de desminagem e no combate ao cibercrime, repercute o The Guardian.

O acordo foi assinado pelo ministro da Defesa tailandês, Natthaphon Narkphanit, e seu homólogo cambojano, Tea Seiha, encerrando 20 dias de hostilidades que incluíram bombardeios aéreos e trocas intensas de fogo de foguetes e artilharia.

Cenário ainda controverso

No entanto, mesmo enquanto as negociações para o cessar-fogo estavam em andamento no sábado, o Camboja relatou um ataque aéreo tailandês em sua região noroeste. O ministério da Defesa cambojano informou que jatos F-16 da Tailândia lançaram quatro bombas em um alvo localizado em Serei Saophoan. Em um incidente anterior, na sexta-feira, um ataque semelhante atingiu Chok Chey, resultando na queda de 40 bombas. As autoridades militares tailandesas confirmaram o ataque do dia anterior.

As disputas territoriais históricas ao longo da fronteira são a principal causa das tensões que culminaram em confrontos armados no final de julho. Embora tenha havido um cessar-fogo frágil mediado pelo primeiro-ministro malaio Anwar Ibrahim, e respaldado por pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os combates foram retomados em dezembro.

Desde 7 de dezembro, a Tailândia contabilizou 26 soldados e um civil mortos diretamente devido aos conflitos. Além disso, foram reportadas 44 mortes civis relacionadas aos efeitos colaterais da situação. O Camboja não divulgou números oficiais sobre suas perdas militares, mas informou que 30 civis foram mortos e 90 feridos. Além disso, centenas de milhares de pessoas foram evacuadas das áreas afetadas em ambos os lados da fronteira.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.