Tailândia e Camboja começam a negociar fim de confrontos mortais
Após disputa sobre local de filmagem, Tailândia e Camboja iniciam negociações para encerrar confrontos mortais em região de fronteira

Nesta semana, representantes do Camboja e da Tailândia iniciaram uma série de negociações que se estenderão por quatro dias em um posto de fronteira, com o objetivo de pôr fim aos recentes confrontos letais entre as duas nações, conforme informou o governo cambojano.
A reunião, realizada na província de Chanthaburi, na Tailândia, enfrentou riscos de suspensão após Phnom Penh exigir a mudança para um local neutro. No entanto, imagens divulgadas pelo governo cambojano mostraram os delegados de defesa reunidos em uma sala simples, confirmando o início das conversas, que buscam “garantir a cessação das hostilidades“, restaurar a estabilidade e “facilitar um rápido retorno à normalidade”.
O conflito entre os vizinhos, que perdura há anos, foi reavivado neste mês, rompendo uma trégua anterior e resultando na morte de mais de 40 pessoas e no deslocamento de cerca de um milhão de indivíduos, segundo informações oficiais.
As discussões devem continuar até sábado, e o porta-voz do ministério da defesa tailandês, Surasant Kongsiri, expressou otimismo em relação aos resultados positivos das reuniões. Contudo, ele ressaltou que o sucesso das negociações depende da sinceridade do Camboja nas palavras e ações apresentadas, conforme repercute o The Guardian.
Tensões na região
A Tailândia já havia solicitado anteriormente que Phnom Penh anunciasse uma trégua antes de cooperar nas operações de desminagem na fronteira. Apesar dos constantes tiroteios transfronteiriços, o ministério do interior do Camboja declarou esta semana estar “otimista de que o lado tailandês demonstrará sinceridade” na implementação de um cessar-fogo.
As tensões têm raízes em disputas territoriais relacionadas à demarcação colonial da fronteira de 800 km entre os dois países e algumas ruínas de templos antigos situadas ao longo dessa linha. Desde 7 de dezembro, ambos os lados têm se acusado mutuamente pela retomada dos combates e pelas agressões a civis após cinco dias de conflitos em julho que deixaram dezenas de mortos.
Os Estados Unidos, a China e a Malásia haviam mediado uma trégua para pôr fim àquela rodada de combates, mas o acordo durou pouco tempo.