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Por que as aves de fim de ano são maiores que o frango?

preferência dos consumidores por cortes maiores implica maior uso de insumos, custos de produção mais altos e preço final mais elevado

Imagem meramente ilustrativa de ceia de Natal / Crédito: Divulgação/ Freepik/ @timolina

Em um mercado de aves em constante evolução, produtos como chester e fiesta se tornaram sinônimos de cortes de frango de maior tamanho e valor agregado, especialmente durante as festas de fim de ano no Brasil. Esses cortes diferem do frango comum do dia a dia não apenas por suas características físicas, mas também por fatores relacionados à produção, alimentação e percepção do consumidor, que influenciam diretamente os preços nas gôndolas dos supermercados.

O chester, termo popularizado no Brasil em meados do século 20, refere-se a uma ave de raça especial, criada para apresentar mais carne nas regiões peitoral e das coxas. Ao contrário do frango tradicional, que é produzido em larga escala para consumo diário, o chester é alvo de um nicho específico de mercado que valoriza aves maiores e mais vistosas para ocasiões festivas. A ave geralmente chega a pesar mais do que um frango comum, porque é geneticamente selecionada para isso, além de receber alimentação específica que favorece o ganho de peso direcionado a partes nobres do corpo.

Aves maiores

Já o chamado fiesta é uma categoria um pouco mais ampla e costuma incluir aves jovens de maior porte, criadas sob condições que permitem maior desenvolvimento corporal em comparação com os frangos padrão. Esses animais muitas vezes são alimentados com ração de maior qualidade e recebem manejo diferenciado ao longo de sua criação. Isso resulta em carnes mais suculentas e cortes mais generosos, características que chamam a atenção dos consumidores que buscam um destaque no cardápio festivo.

Essas diferenças na genética e no manejo produtivo têm impacto direto nos custos. A produção de chester e frango de festa exige mais tempo, maiores gastos com alimentação e espaço, e muitas vezes envolve processos de criação mais cuidadosos. Consequentemente, os custos de produção desses cortes são superiores aos do frango comum, o que se reflete no preço final ao consumidor.

Outro aspecto relevante é a demanda sazonal. Durante épocas festivas como Natal e Ano-Novo, a procura por aves maiores aumenta, elevando a pressão sobre os produtores e distribuidores para atender a esse pico de consumo. A oferta específica para esse tipo de produto pode ser mais restrita, o que também contribui para que os preços sejam mais altos em comparação com o frango do cotidiano, cuja produção e logística são otimizadas para atender a uma demanda estável ao longo do ano.

Especialistas em agronegócio destacam ainda que fatores como custos de ração, energia, transporte e mão de obra influenciam de maneira geral os preços das aves, mas os efeitos se tornam mais evidentes nos produtos mais valorizados, como o chester e o frango de festa. Isso porque esses cortes já partem de uma base de custo mais elevada, e qualquer variação no mercado de insumos tende a afetar diretamente o preço final.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.