Notícias / Mundo

Presidente da Coreia do Sul quer ampliar cobertura de saúde para queda de cabelo

Presidente Lee Jae Myung quer ampliar a cobertura pública de saúde para queda de cabelo, proposta que divide médicos e gera críticas conservadoras

Lee Jae Myung durante debate presidencial em Seul, em março de 2022 / Créditos: Getty Images

Em nova proposta, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung pediu que seu governo considere a ampliação da cobertura do seguro de saúde público para tratamentos contra a queda de cabelo. Durante a argumentação, Lee afirmou que a calvície se tornou uma “questão de sobrevivência”, e não apenas uma preocupação estética entre os jovens.

No entanto, a proposta tem gerado forte reação negativa de profissionais da área médica e de figuras conservadoras. Anunciada durante uma reunião na terça-feira, 16, a medida busca ampliar a cobertura para além dos tratamentos médicos atualmente contemplados, que se limitam a certos tipos de queda de cabelo.

O que o sistema cobre hoje

Na Coreia do Sul, o sistema público de saúde é universal, ou seja, todos que contribuem podem utilizá-lo. As contribuições são proporcionais à renda dos beneficiários.

De acordo com informações repercutidas pelo jornal The Guardian, atualmente o sistema cobre a queda de cabelo apenas quando ela é considerada uma condição médica, como a alopecia areata. Já a calvície comum, especialmente a masculina hereditária, não recebe cobertura do sistema, por ser tratada como uma questão estética ou não essencial. Com isso, a maioria dos tratamentos contra a calvície precisa ser paga do próprio bolso.

Pode haver jovens que considerem injusto pagar o seguro de saúde e não receber nenhum retorno”, disse Lee, ao dizer que o sentimento de exclusão entre eles se tornou grave.

Pressão estética e impacto social

Em 2022, o presidente já havia proposto a política pela primeira vez durante sua campanha presidencial. Na ocasião, ele foi criticado por adotar uma postura considerada populista e, por isso, a proposta acabou retirada de sua plataforma eleitoral mais recente.

A iniciativa também evidenciou a forte ênfase cultural da Coreia do Sul na aparência física. Em 2024, uma pesquisa realizada com jovens adultos revelou que 98% dos entrevistados acreditam que pessoas atraentes recebem mais benefícios sociais.

O país é conhecido pela intensa pressão cultural relacionada à estética, especialmente sobre as mulheres, que enfrentam expectativas rígidas em relação à maquiagem, aos cuidados com a pele e à forma corporal. Entre os homens, o tema é menos discutido abertamente, mas a queda de cabelo afeta a autoimagem, levando muitos a deixar a franja crescer para disfarçar as entradas ou a recorrer a tratamentos caros.

Críticas e impacto financeiro

O mercado de tratamentos para queda de cabelo na Coreia do Sul movimentou cerca de 188 bilhões de won em 2024, segundo estimativas do setor. A proposta de Lee surge em um momento de pressão financeira sobre o sistema público de saúde, que pode registrar déficits de até 4,1 trilhões de won em 2026.

A iniciativa foi recebida com ceticismo por profissionais da área médica e por setores conservadores. A Associação Médica Coreana defendeu que os recursos do seguro de saúde devem priorizar doenças graves, como o câncer. Jornais conservadores também criticaram a medida, enquanto a ministra da Saúde, Jeong Eun Kyeong, afirmou que a ampliação da cobertura exigiria uma análise abrangente e poderia impactar as finanças do sistema.