Notícias / Mundo

Japão vai testar arma laser capaz de cortar metal e derrubar drones

Um avanço para a tecnologia bélica japonesa, Japão testará novo sistema de laser de alta potência, capaz de cortar metal e derrubar drones, em breve

Marinheiros japoneses em frente a navio de guerra / Crédito: Getty Images

O Japão implementou um avançado sistema de armas a laser com capacidade de 100 quilowatts, projetado especificamente para desativar pequenos drones. Essa tecnologia foi instalada a bordo do navio de guerra JS Asuka, que possui um deslocamento de 6.200 toneladas.

A nova arma combina dez lasers, cada um com potência de 10 kW, para formar um único feixe de 100 kW, capaz de perfurar superfícies metálicas. Trata-se de um laser de fibra, que gera o feixe por meio da ampliação e focalização da luz ao longo de uma fibra óptica sólida dopada com elementos raros. Os engenheiros desenvolveram esse sistema visando neutralizar drones, projéteis de morteiro e outras ameaças aéreas leves.

Em 2 de dezembro, a Agência de Aquisição, Tecnologia e Logística do Japão (ATLA) anunciou oficialmente a instalação do sistema no navio após sua chegada ao estaleiro da Japan Marine United. O equipamento foi transportado em dois módulos domo de 12 metros.

As primeiras provas em condições marítimas reais estão programadas para começar após 27 de fevereiro de 2026, conforme informações divulgadas pelo canal @AGChatch no YouTube, que acompanha inovações na tecnologia naval japonesa.

O desenvolvimento deste armamento teve início em 2018, e um protótipo foi entregue à ATLA pela Kawasaki Heavy Industries em fevereiro de 2023. Durante a apresentação do equipamento, autoridades comentaram que “desde que haja energia suficiente, o sistema pode continuar a atingir alvos sem ficar sem munição“, conforme reportado pelo The Asia Live.

Além disso, ressaltaram que o sistema possui “capacidade ilimitada de munição“, sendo que a única limitação se refere à quantidade de eletricidade disponível. O custo por disparo é significativamente inferior ao dos sistemas convencionais de defesa aérea. Testes em solo anteriores mostraram resultados positivos contra projéteis de morteiro e veículos aéreos não tripulados.

Desafios

A próxima meta da ATLA é realizar testes exitosos no mar, onde o laser enfrentará condições desafiadoras como vento e umidade. A arma precisará manter a precisão mesmo com o movimento do navio e as interferências atmosféricas.

No entanto, existem vários obstáculos que sistemas de armas a laser, como o japonês, ainda precisam superar antes de serem utilizados em combate real. Sistemas de energia dirigida — que danificam os alvos com energia altamente concentrada ao invés de projéteis sólidos — costumam exigir longos períodos para recarga entre disparos e necessitam de resfriamento substancial e grande quantidade de energia elétrica. Mesmo nas melhores condições, lasers de fibra geralmente alcançam apenas 25% a 35% de eficiência, tornando sua operação especialmente desafiadora em embarcações.

De acordo com o The Asia Live, oficiais da ATLA afirmaram que a implantação operacional ainda está anos distante no futuro, mas esses testes ajudarão na avaliação sobre a possibilidade de utilizar um laser ainda mais potente para interceptar mísseis futuramente.

Com isso, o Japão se junta aos Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido na lista das nações envolvidas no desenvolvimento de armas baseadas em energia dirigida. A China também é suspeita de estar trabalhando nessa tecnologia após surgir uma imagem nas redes sociais mostrando o que parecia ser um laser em um navio para transporte anfíbio chinês em 2024.

Entretanto, até o momento, o único sistema programado para ser implantado em embarcações navais é aquele equipado com “Aegis”, uma plataforma avançada de defesa naval encomendada pelo Ministério da Defesa japonês e prevista para entrar em operação após 2032, repercute o Live Science.

Cerca de dois anos atrás, o governo britânico anunciou que seu sistema chamado “DragonFire” havia passado com sucesso no primeiro teste prático ao derrubar vários drones sobre as Hébridas, na costa da Escócia. Além disso, no final de 2024, cientistas chineses afirmaram ter desenvolvido uma nova arma baseada em micro-ondas capaz de concentrar ondas eletromagnéticas potentes sobre um alvo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.