Roma inaugura estações de metrô que funcionam como museus
Novas estações da Linha C, perto do Coliseu, funcionam como museus e exibem ruínas, banhos termais e quartéis da Roma Antiga

E agora, o turismo em Roma começa antes mesmo de você sair do metrô. Uma inauguração na Linha C trouxe duas novas estações que funcionam como verdadeiros museus dentro do sistema de transporte público: Colosseo–Fori Imperiali e Porta Metronia. Durante a visita, é possível ver artefatos históricos descobertos durante as obras de construção, integrados ao espaço das estações.
O ministro dos Transportes, Matteo Salvini, afirmou em entrevista à Reuters que o projeto atende tanto os passageiros que trabalham na cidade e os romanos quanto visitantes da Itália e do exterior. Segundo ele, cada estação apresenta ao público uma coleção de artefatos arqueológicos descobertos durante escavações.
Ao lado do Coliseu
A primeira estação que se destaca é Colosseo–Fori Imperiali, localizada ao lado do Coliseu. No local, é possível encontrar dezenas de jarras, tigelas e outros objetos diversos expostos em vitrines de vidro.
De acordo com informações repercutidas pela revista Smithsonian, a estação também abriga os restos de uma casa construída durante a República Romana, um balneário termal do Império Romano e 28 poços anteriores à construção do primeiro aqueduto de Roma, em 312 a.C.
Quartéis e afrescos subterrâneos
Já a estação Porta Metronia, localizada a uma parada do Coliseu, exibe quartéis militares com cerca de 2.000 anos, descobertos durante as perfurações para a construção do metrô. Além disso, o espaço também apresenta uma vila de comandante, com afrescos e pisos de mosaico preservados.
Ver essa foto no Instagram
O desafio de escavar Roma
Construir o metrô em Roma se mostrou um grande desafio, mas também um processo que agrega valor cultural à cidade. Por se tratar de uma área com grande concentração de história enterrada, especialmente no entorno do Coliseu e do centro histórico, as escavações precisaram ser realizadas com extremo cuidado. Em alguns momentos, os profissionais tiveram de recorrer à escavação manual.
Roma é a cidade mais difícil do mundo para se construir um metrô”, afirmou Marco Cervone, gerente de construção das duas novas estações, ao The Times. “Não é apenas o que está embaixo que importa, mas também o que está em cima.”
Assim, o projeto de grandes proporções busca tornar Roma, uma das cidades mais visitadas da Europa, mais habitável tanto para turistas quanto para moradores locais. No entanto, até chegar a esse ponto, a iniciativa trouxe transtornos para parte dos cerca de 2,8 milhões de habitantes da capital italiana, que enfrentaram congestionamentos e o barulho prolongado das obras.
Ainda assim, para o guia turístico e historiador Carlo Andrea, o resultado compensa a espera. Em entrevista ao The Guardian, ele afirmou que o processo foi “eterno” e marcado por certa resignação entre os romanos, mas ressaltou que, em momentos como este, a cidade lembra da importância de investir no metrô, mesmo diante dos desafios, especialmente quando isso resulta em “coisas maravilhosas”.