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Europa deve ter mais 42 dias de verão até o final do século, aponta estudo

Aumento no número de dias quentes pode afetar setores como agricultura, biodiversidade, saúde pública e até mesmo a disponibilidade de água

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

A crescente preocupação com as mudanças climáticas ganhou novos contornos a partir de um estudo recente realizado por pesquisadores da Royal Holloway University of London. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, indica que a Europa poderá experimentar um acréscimo de até 42 dias em sua temporada de verão até o final do século XXI.

O estudo expõe evidências alarmantes sobre as alterações climáticas que afetam o nosso planeta. Os cientistas analisaram a diminuição do “Gradiente Latitudinal de Temperatura” (LTG), que refere-se à diferença de temperatura entre as regiões polares e o equador. Esse fenômeno tem apresentado uma redução gradual, o que pode ter implicações significativas para os padrões climáticos europeus.

De acordo com o portal Galileu, os dados coletados indicam que a região ártica está aquecendo em um ritmo quatro vezes superior à média global, resultando em um LTG mais baixo. Essa alteração reduz a intensidade das correntes de ar provenientes do Oceano Atlântico, essenciais para a modulação das condições climáticas na Europa. Como consequência, os padrões associados ao verão estão se tornando mais persistentes, levando ao aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor.

Método inovador

Para avaliar a magnitude do aquecimento, os pesquisadores utilizaram uma metodologia inovadora que envolve a análise de sedimentos encontrados no fundo de lagos europeus. Essa abordagem permitiu traçar uma linha do tempo das variações climáticas dos últimos 10 mil anos, revelando que, em períodos remotos, os verões podiam durar quase 200 dias por ano — uma duração comparável às estações quentes mais extremas observadas atualmente.

A pesquisa concluiu que para cada grau Celsius de diminuição no LTG, há uma expansão dos verões europeus em aproximadamente seis dias. Com base nas projeções climáticas e nas emissões de gases de efeito estufa, os cientistas estimam que o verão europeu se estenderá em 42 dias até 2100.

A pesquisadora Laura Boyall, do Departamento de Geografia da Royal Holloway e coautora do estudo, enfatizou: “Nossas descobertas mostram que isso não é apenas um fenômeno moderno: é uma característica recorrente do sistema climático da Terra. Mas o que é diferente agora é a velocidade, a causa e a intensidade da mudança”.

Além dos gases de efeito estufa, fatores como emissões industriais de aerossóis e ciclos internos de retroalimentação do clima terrestre também desempenham um papel crucial na alteração das estações na Europa. As repercussões desse aumento no número de dias quentes podem ser profundas, afetando setores como agricultura, biodiversidade, disponibilidade de água e saúde pública.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.