Russell Crowe voltou a comentar publicamente sobre sua insatisfação com a sequência de Gladiador, dirigida novamente por Ridley Scott, mas desta vez estrelada por Paul Mescal e Pedro Pascal. Para o ator, que imortalizou o general romano Maximus no longa de 2000, o novo capítulo da franquia não compreendeu o elemento fundamental que sustentava a força da história original: o seu núcleo moral.
Segundo Crowe, o impacto emocional e o alcance cultural do primeiro Gladiador não se explicam pela grandiosidade estética, pelas batalhas ou pela escala épica da produção, mas pela integridade dramática do personagem e pela jornada ética que ele representava. Em entrevista à rádio australiana Triple J, o ator afirmou que a sequência é um “exemplo realmente infeliz” de como “pessoas na sala de máquinas não entenderam o que tornava aquele primeiro filme especial”. Ele reforçou que o que conquistou o público não foi a pompa, as ações ou o espetáculo, mas a essência moral que movia Maximus.
Gladiador
No filme de 2000, Maximus é traído, reduzido à escravidão e luta por justiça até sua morte. A produção venceu cinco Oscars, incluindo melhor filme e melhor ator para Russell Crowe, e tornou-se um marco do cinema contemporâneo. Já a sequência, lançada mais de duas décadas depois, se passa anos após os eventos originais e acompanha Lucius, vivido por Paul Mescal, que é apresentado como filho ilegítimo de Maximus e Lucilla, personagem de Connie Nielsen.
Crowe também relembrou que, durante as filmagens do primeiro longa, travou batalhas diárias para preservar o caráter de seu personagem. Segundo ele, havia insistência repetida para inserir cenas de sexo ou situações que, em sua visão, enfraqueciam a força moral de Maximus. “Era como se dissessem: vocês estão tirando o poder dele”, contou. Ele ainda classificou como “loucura” a ideia, sugerida na sequência, de que Maximus teria vivido outro romance além de sua relação com a esposa.
A recepção a Gladiador II foi dividida. Alguns críticos, como Peter Bradshaw, do The Guardian, consideraram o filme um espetáculo empolgante, elogiando Paul Mescal como protagonista. Outros, como Owen Gleiberman, da Variety, disseram que a obra entrega entretenimento sólido, mas permanece como uma sombra do original.
Crowe revelou, ainda, que tem sido abordado por fãs na Europa que reclamam diretamente a ele sobre a sequência. Sua resposta, segundo contou, é sempre a mesma: “Não fui eu, eu não fiz isso”.