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Boneco de Trump é queimado em festival natalino na Guatemala

Em cerimônia marca o início das festividades de fim de ano, moradores da Guatemala deram início à “Queima do Diabo” com a efígie de Trump

Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos / Crédito: Getty Images

Na noite do último domingo, 7, durante a celebração da tradicional “Queima do Diabo” na Cidade da Guatemala, uma efígie em papel-machê representando Donald Trump foi colocada em destaque e incendiada diante de uma multidão.

O ritual anual, pensado como um símbolo de purificação e renovação antes do Natal, costuma envolver o sacrifício simbólico de bonecos — muitas vezes representando demônios, personagens públicos ou figuras controversas — para espantar o mal e deixar para trás os males do ano que termina.

Este ano, a escolha de Trump como “símbolo do mal” suscitou grande repercussão. Organizador local explicou que, dentre os muitos personagens possíveis, Trump se destacou por “atrair atenção e comentários”, apontando para controvérsias de seu governo, sobretudo em relação a políticas migratórias que atingem fortemente comunidades latino-americanas, entre elas guatemaltecas.

A efígie foi representada com características marcantes — cabelo loiro e rosto reconhecível — e incorporada à figura de um demônio de grandes proporções. Após ser acesa, a multidão reagiu com aplausos, gritos e celebrações que misturaram alívio simbólico e protesto.

Boneco de Trump

Para muitos participantes, a queima representa “o triunfo do bem sobre o mal” e serve como uma forma de libertação coletiva: expulsar simbolicamente injustiças, medos, discriminação ou mágoas acumuladas — segundo relatos de quem estava no evento.

O ritual mistura religiosidade popular, cultura festiva e crítica política, demonstrando como tradições antigas podem ganhar novos significados em contextos contemporâneos.

A efígie de Trump já havia sido alvo de ritual semelhante em anos passados, em meio a tensões provocadas por medidas de imigração dos Estados Unidos que causaram apreensão entre guatemaltecos expatriados ou com familiares fora do país.

A repetição desse gesto indica que para uma parcela da população, ele traduz ressentimento, desconfiança e indignação diante de políticas percebidas como hostis. Ao mesmo tempo, o evento continua cumprindo seu papel tradicional de renovação simbólica, marcado por celebração, fogos, bandeiras e convívio comunitário.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.