Mais de 200 homens são presos em ação contra ‘práticas imorais’ em ‘spa gay’ na Malásia
Operação policial em Kuala Lumpur, na Malásia, prende mais de 200 homens com idades entre 19 e 60 anos em "spa gay" por "práticas imorais"

Na última sexta-feira, uma ação da polícia em Kuala Lumpur, capital da Malásia, resultou na prisão de mais de 200 homens que estavam em um local supostamente conhecido como “spa gay“, situado no bairro de Chow Kit.
Durante a operação, as autoridades detiveram 201 frequentadores e sete funcionários do estabelecimento. Segundo informações divulgadas pela mídia malaia, incluindo os veículos The Star e Malaya Mail, o local funcionava como uma fachada para encontros sexuais e prostituição masculina.
A Malásia possui legislações que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, tanto sob a perspectiva das leis civis quanto sob as normas islâmicas, que se aplicam exclusivamente aos muçulmanos.
Os detidos têm idades variando entre 19 e 60 anos. Entre eles estão não apenas cidadãos malaios, mas também turistas originários da Coreia do Sul, Indonésia, China e Alemanha, entre outros países não especificados pelas autoridades locais.
O suposto spa operava há cerca de dez meses sob a disfarce de um centro de saúde. Os clientes foram encontrados em condições comprometedoras, nus ou seminús, enquanto usufruíam de saunas, piscina aquecida e áreas privadas.
Datuk Mohd Azani Omar, vice-chefe da polícia de Kuala Lumpur, afirmou que o estabelecimento era utilizado para “práticas imorais“. Ele confirmou a detenção de 201 frequentadores, incluindo 24 estrangeiros, além da apreensão de preservativos e outros itens potencialmente utilizados para atividades ilícitas.
Os clientes pagavam cerca de R$ 42 por visita, além de uma taxa inicial de R$ 7, conforme repercute o UOL. A polícia informou que a promoção dos serviços era realizada através de plataformas digitais como o TikTok.
Após dois dias das prisões, a maioria dos detidos foi liberada. Conforme relatado pelo The Star, 171 presos receberam autorização judicial para deixarem a prisão durante o final de semana; os demais permanecem sob custódia.
A investigação segue conforme a seção 387B do Código Penal da Malásia, que trata de atos sexuais considerados “não naturais”. Aproximadamente 80 dos detidos, sendo muçulmanos, enfrentarão também acusações sob a seção 29 da Lei de Crimes da Sharia por “comportamento indecente em local público”.
Críticas à operação
A operação gerou controvérsias e foi interpretada como uma ação repressiva contra a comunidade LGBTQIAP+ na Malásia. Imagens e vídeos da operação circularam amplamente nas redes sociais e na imprensa local, provocando reações críticas de organizações defensoras dos direitos humanos.
A entidade Justice for Sisters, que atua em defesa da população LGBTQIAP+ no país, manifestou-se contra a ação policial, descrevendo-a como um ato de humilhação pública que criminaliza a intimidade consensual e cria um ambiente de pânico sem evidências concretas de crimes.
Além disso, o editorial do The Straits Times, um respeitado jornal de Singapura, expressou preocupações semelhantes ao afirmar que a operação não resultou em acusações significativas, mas deixou um legado de estigmatização entre os indivíduos envolvidos.