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Papa Leão 14 descarta famosas aparições de Jesus Cristo na França

Papa declarou que as aparições relatadas nos anos 1970 não são milagrosas e sinalizou uma possivel revisão em símbolos incorporados pela fé popular

O Papa Leão XIV / Créditos: Getty Images

O papa Leão XIV voltou a fazer declarações sobre símbolos modernos de adoração na quarta-feira, 12. Agora, o pontífice declarou que as aparições de Jesus em Dozulé, na França, nos anos 1970, não têm origem sobrenatural. Ele afirmou também que esses relatos não devem ser tratados como objetos de veneração.

A fala ocorreu uma semana após afirmar que a Virgem Maria não é uma salvadora da humanidade. O papa, eleito em maio, dá então sinais de que pretende retirar práticas devocionais populares que surgiram fora do reconhecimento oficial da Igreja. No entanto, esses elementos fazem parte da fé cotidiana de parte dos 1,4 bilhão de católicos.

As aparições em Dozulé

As supostas aparições foram atribuídas à moradora local Madeleine Aumont, que viveu entre 1924 e 2016. Ela afirmou ter visto Jesus 49 vezes entre 1972 e 1978, ou 50 segundo alguns devotos que citam um episódio em 1982. Segundo os relatos, Jesus teria transmitido mensagens sobre o fim dos tempos na presença do padre Victor L’Horset. Ele teria pedido a construção de uma cruz com 738 metros de altura e 123 de largura.

Curiosamente, essas são as proporções da cruz em que Jesus foi cravado pelos romanos, segundo a Bíblia. Hoje existe apenas uma cruz menor no morro onde as visões teriam ocorrido.

Mesmo assim, um movimento de devotos se formou ao redor da história e fez ligações com o milagre de Fátima. O caso, entretanto, acumulou polêmicas durante cinco décadas que ao contrário de Fátima e Guadalupe, o Vaticano nunca reconheceu Dozulé como fenômeno sobrenatural. A Igreja demonstrou ainda preocupação com a criação de orações próprias e discursos apocalípticos ligados ao relato.

Em um relato de 1974, por exemplo, Jesus teria pedido a construção da cruz e de um santuário até o fim de 1975. Pois segundo ele, esse seria o último Ano Santo em referência à celebração do catolicismo, repercute a Folha de S. Paulo.

Sinais do novo pontificado

Na semana passada, o papa também afastou outra crença popular da fé. Ele negou que Maria seja “corredentora da humanidade”, ideia muito citada por João Paulo II. Esse conjunto de falas indica que Leão 14 busca uma postura doutrinária mais rígida. Ainda assim, o pontífice parece tentar dialogar com novas gerações com a canonização do “santo millennial” Carlo Acutis.