Estátuas são roubadas do Museu Nacional da Síria meses após reabertura
Seis estátuas de mármore da era romana sumiram após arrombamento no Museu Nacional da Síria; caso expõe fragilidades na proteção do acervo

O Museu Nacional da Síria registrou o roubo de estátuas antigas e outros artefatos, segundo as autoridades. A equipe identificou o crime na segunda-feira, ao perceber que uma das portas havia sido arrombada por dentro.
Segundo um funcionário ouvido pela Associated Press, o acervo roubado inclui seis estátuas de mármore da era romana. Logo após a descoberta, as autoridades abriram uma investigação para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento das peças. Além disso, o museu e a Direção de Antiguidades afirmaram que já reforçaram os sistemas de segurança e monitoramento, conforme repercute a BBC.
Enquanto isso, o chefe da segurança interna de Damasco, general Osama Atkeh, confirmou que o caso está sob apuração. Segundo ele, o roubo incluiu “peças arqueológicas e itens raros de coleção”. Em depoimento à agência estatal Sana, o general afirmou que vigilantes e outros funcionários estão sendo interrogados.
Acervo que atravessa milênios
Fundado em 1919, o Museu Nacional da Síria abriga o acervo arqueológico mais importante do país. Entre os destaques estão tábuas de argila com escrita cuneiforme do século 14 a.C., encontradas em Ugarit. Lá, pesquisadores identificaram o alfabeto mais antigo já registrado.
O museu também guarda esculturas greco-romanas dos séculos 1 e 2, vindas de Palmira. Além disso, o espaço abriga uma sinagoga do século 3, removida de Dura-Europos e remontada no interior da instituição.
Guerra, resgate e sobrevivência
Com o início da guerra civil, em 2011, o museu fechou as portas no ano seguinte. Para proteger o acervo, equipes transferiram parte das peças para locais secretos. Mais tarde, em 2018, o espaço reabriu gradualmente. A retomada completa das atividades aconteceu apenas em janeiro de 2025, semanas após a queda do governo de Bashar al-Assad.
Durante o conflito, o patrimônio sírio sofreu perdas profundas. Os seis sítios do país que integram a lista da Unesco foram danificados. Em Palmira, o Estado Islâmico destruiu templos milenares e classificou as obras como “idólatras”. A Unesco condenou os ataques e os descreveu como crimes de guerra.
O episódio em Damasco se soma a um alerta global. Nos últimos anos, museus e grandes acervos têm registrado mais furtos e falhas de vigilância. Por exemplo, o Museu de Oakland, nos Estados Unidos e o Museu do Louvre, na França, que sofreram recentemente com o desaparecimento de itens após roubo, expondo brechas na segurança interna.