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Sexo dos dinossauros pode ser descoberto de forma curiosa

Pesquisa em fósseis de dinossauros sugere, pela primeira vez, que cicatrizes compatíveis com acasalamento permitem distinguir fêmeas de machos

Dinossauros
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

Paleontólogos divulgaram um estudo inovador que pode ajudar a desvendar um dos mistérios mais antigos da paleontologia: como diferenciar fêmeas e machos de dinossauros a partir de seus fósseis. A análise focou nos hadrossauros — os chamados “dinossauros de bico de pato”, comuns no Cretáceo Superior — e encontrou um padrão recorrente de lesões ósseas traumáticas nas vértebras da cauda, justo na base da mesma, entre o sacro e o meio do rabo.

Segundo depoimento dos autores à CNN e registros do artigo, essas lesões consistem em processos espinhosos quebrados ou deformados, com indícios de cicatrização, o que indica que os animais continuaram vivos após o trauma.

A hipótese principal é de que esses danos tenham sido causados durante o ato de acasalamento: os machos teriam montado as fêmeas, apoiando-se ou pressionando a região da cauda, ocasionando as fraturas. Para sustentar essa hipótese, os pesquisadores analisaram quase 500 vértebras de diferentes espécies de hadrossauros de museus na América do Norte, Europa e Rússia, encontrando o padrão em múltiplos indivíduos.

Sexo dos dinossauros

Os experimentos comparativos buscaram descartar causas alternativas — como lesões por lutas, tropeços, movimentos musculares ou acidentes naturais — mas nenhuma das simulações gerou consistência entre espécies e localidades semelhante à das lesões observadas. Dessa forma, o comportamento de acasalamento aparece como a explicação mais plausível atualmente.

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores reconhecem que ainda não é possível afirmar com certeza o sexo dos indivíduos apenas com base nessas cicatrizes: é preciso encontrar fósseis com indícios complementares, como o osso medular — tecido reprodutivo associado a fêmeas — ou ovos fossilizados.

Se a hipótese for confirmada, o achado pode transformar a forma como se examinam fósseis completos de dinossauros, permitindo, por exemplo, testar diferenças entre machos e fêmeas em cristas cranianas, tamanho corporal ou hábitos sociais. Contudo, especialistas externos ao estudo alertam para a necessidade de cautela: distinguir o sexo de animais extintos exige múltiplas linhas de evidência e permanece um desafio científico significativo.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.