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Descoberta em Creta revela que ‘copos descartáveis’ já eram usados na antiguidade

Descoberta arqueológica mostra que a busca por praticidade e consumo já fazia parte da vida humana há mais de 3.000 anos

Imagem da exposição: Descartável Lixo e nós. / Créditos: © 2019 Os Curadores do Museu Britânico

Recentemente, escavações arqueológicas na ilha grega de Creta revelaram milhares de recipientes de barro, datados de cerca de 3.500 anos atrás, que teriam sido usados apenas uma vez. Embora copos descartáveis pareçam um símbolo moderno, a descoberta mostra que a ideia pode ser mais antiga do que se imagina. 

A descoberta sugere que a civilização minoica, considerada uma das mais avançadas da Idade do Bronze, já adotava o conceito de ‘uso único’. Um dos copos está em exibição no Museu Britânico, em Londres, ao lado de um modelo de papel da década de 1990. 

Os pesquisadores

A visão dos pesquisadores, de acordo com o The Guardian, é que os minoicos usavam esses copos em banquetes e celebrações regadas a vinho — um achado que gera uma reflexão curiosa. 

Julia Farley, curadora do Museu Britânico, entende que o comportamento mostra uma busca pela praticidade, um traço que parece persistir ao longo da história humana. 

Assim como nós, eles não queriam lavar a louça”, brincou Farley.

Porém, o nosso costume atual está ligado à produção e ao consumo em larga escala, prática que ameaça o meio ambiente, diferentemente dos minoicos. 

Transformando um hábito antigo

Em cartaz no Museu Britânico, a exposição tem como objetivo levar o público a repensar a própria rotina. Segundo Farley, as pessoas podem ficar muito surpresas ao descobrir que os copos descartáveis não são uma invenção tão moderna, mas algo que antecede milhares de anos.

Para ela, a diferença está na escala de produção: atualmente, são fabricados cerca de 300 bilhões de copos de papel descartáveis por ano.

Durante os tempos minoicos, as festas e os banquetes eram demonstrações de poder e prosperidade. Conforme repercutido por O Globo, Farley explica que descartar um utensílio após o uso era sinal de fartura — um luxo acessível apenas aos mais abastados.

Embora diferentes contextos moldem o comportamento humano, o traço entre passado e presente revela um paralelo: a associação entre consumo e prestígio.

Além de ser conveniente, a xícara era uma forma de ostentar riqueza por causa de todos os recursos investidos em sua fabricação”, completou a curadora.

Reflexo da natureza humana

Para a curadora Julia Farley, os copos minoicos de barro revelam algo recorrente na história humana: a tendência de gerar resíduos. “Os seres humanos sempre produziram lixo. É um subproduto inevitável da nossa existência”, comenta. Ainda assim, ela ressalta que o desafio atual está na dimensão do problema e nos materiais empregados.

Hoje, fazemos o que sempre fizemos, mas em uma escala sem precedentes, com materiais que levarão séculos para se decompor.”

A exposição no Museu Britânico apresenta, além dos recipientes encontrados em Creta, uma série de objetos que confrontam passado e presente — entre eles, uma cesta de pesca feita de plástico e registros que mostram os efeitos da poluição marinha. A proposta é provocar o visitante a refletir que a busca por praticidade acompanha a humanidade há milênios, mas as consequências ambientais se tornaram bem mais graves.

Mais do que acrescentar informações sobre uma das civilizações mais avançadas da Antiguidade, a descoberta reacende uma discussão contemporânea: a dificuldade humana de conciliar conforto e responsabilidade ambiental.