Estudo responde se animais caem em ilusão de ótica
Estudo revela que guppies e pombas reagem de forma distinta a ilusões de ótica, desafiando nossas percepções sobre a cognição animal

As ilusões de ótica representam fenômenos fascinantes que provocam questionamentos sobre como o cérebro humano interpreta informações visuais. Frequentemente empregadas nas artes para confundir os observadores, essas ilusões levantam uma pergunta intrigante: será que outros animais também podem ser afetados por tais ilusões?
Pesquisadores da Universidade de Viena, na Áustria, buscaram responder a essa questão em um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology. A pesquisa investiga se a capacidade de ser enganado por ilusões de ótica se estende além dos seres humanos.
A ilusão óptica, em humanos, está ligada ao processamento global, ou seja, à tendência de compreender uma cena como um todo antes de focar nos detalhes. Contudo, diferentes espécies possuem mundos sensoriais distintos, e isso pode influenciar suas percepções.
Para investigar como ocorre o processamento visual em outras espécies, os cientistas selecionaram duas representações do reino animal: os guppies (Peocilia reticulata), uma espécie de peixe, e as pombas com anel (Streptopelia risoria), uma espécie de ave. Os guppies vivem em riachos tropicais iluminados, onde precisam tomar decisões rápidas para sobreviver em meio a predadores e escolher parceiros. Em contrapartida, as pombas com anel são granívoras que passam grande parte do tempo procurando sementes no chão, onde precisão e atenção aos detalhes podem ser mais críticas do que uma visão global da cena.
Os pesquisadores realizaram experimentos utilizando alimentos como estímulos para testar se as mesmas ilusões afetariam tanto os guppies quanto as pombas. Para os guppies, flocos de comida foram dispostos entre círculos de diferentes tamanhos; já as pombas receberam sementes dispostas de forma semelhante.
Resultados
Os resultados revelaram que os guppies foram suscetíveis à ilusão: quando a comida estava cercada por círculos menores, eles frequentemente a escolhiam como se fosse maior. Em contraste, as pombas mostraram respostas variáveis; alguns indivíduos se comportaram como humanos e caíram na ilusão, enquanto outros não foram influenciados, sugerindo que elas podem adotar estratégias perceptivas diversas. Essa variação indica que as pombas tendem a focar mais em detalhes locais e menos na influência do contexto.
Essas descobertas abrem caminho para discussões mais profundas sobre evolução biológica e cognição comparativa entre espécies. A percepção dos guppies parece ser adaptada às complexidades visuais dos ambientes aquáticos, ajudando-os a identificar parceiros ou avaliar rapidamente tamanhos relativos. Por outro lado, a estratégia das pombas pode ser mais eficaz para localizar sementes em ambientes desordenados.
Além disso, segundo a CNN, o estudo corrobora a ideia de que a percepção animal não é homogênea; assim como entre humanos há variações na suscetibilidade a ilusões de ótica, o mesmo se aplica aos animais.