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Neto de Mandela é deportado de Israel após tentativa de ajuda

Mandla Mandela afirma ter sido algemado e detido por seis dias; Israel nega maus-tratos e chama flotilha de "golpe publicitário"

Mandla Mandela na chegada ao aeroporto de Joanesburgo - Getty Images

Mandla Mandela, de 51 anos, neto do ex-presidente sul-africano e ícone antiapartheid Nelson Mandela, retornou a Joanesburgo nesta quarta-feira, 8, após ser detido e deportado por Israel. Ele integrava uma flotilha internacional que tentava entregar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, bloqueada pelo governo israelense desde o início da guerra contra o Hamas.

Mandela desembarcou acompanhado de outros quatro sul-africanos e foi recebido por dezenas de simpatizantes que agitavam bandeiras palestinas no aeroporto. Visivelmente emocionado, ele relatou os momentos de tensão e humilhação vividos durante a detenção.

“Fomos algemados com cabos amarrados firmemente atrás das costas, retirados de nossos barcos, colocados na plataforma e expostos para todos verem”, contou. Segundo ele, o grupo foi mantido em uma prisão israelense por seis dias antes de ser libertado na Jordânia.

Apesar do sofrimento, Mandela afirmou que sua experiência “não é nada comparada ao que os palestinos têm sido submetidos diariamente”. Ele condenou a ofensiva militar israelense em Gaza, que já dura dois anos desde o ataque mortal do Hamas contra Israel. “O mundo precisa abrir os olhos para o sofrimento do povo palestino. O que presenciamos é apenas uma amostra da brutalidade que eles enfrentam há décadas”, declarou.

Negação

O governo israelense respondeu às acusações, negando qualquer tipo de maus-tratos contra os detidos. Em nota, as autoridades afirmaram que “as operações de segurança foram conduzidas dentro dos padrões internacionais” e classificaram a flotilha como “um golpe publicitário em benefício do Hamas”.

Israel também rejeitou as denúncias de que há fome generalizada em Gaza, alegando que os relatos “são exagerados e utilizados como ferramenta política”. Desde o início do bloqueio, o país controla rigidamente a entrada de suprimentos no território palestino, sob o argumento de evitar o envio de materiais que possam ser usados pelo Hamas em ações militares.

Solidariedade

A detenção de Mandla Mandela reacendeu a indignação de movimentos pró-Palestina ao redor do mundo. Grupos de direitos humanos afirmam que Israel vem violando o direito internacional ao impedir a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Entre os detidos também estava a ativista sueca Greta Thunberg, conhecida por sua atuação em causas ambientais e sociais.

Segundo a CNN, o governo da África do Sul, que historicamente mantém uma postura crítica em relação às ações israelenses, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. No entanto, parlamentares do partido governista, o Congresso Nacional Africano (ANC), expressaram apoio a Mandela e reiteraram o compromisso do país com a causa palestina.

Para Mandla, a experiência reforçou o legado do avô, que defendia a solidariedade com todos os povos oprimidos. “Meu avô acreditava na justiça, na dignidade e na liberdade. Essa luta continua, e a Palestina é parte dela”, concluiu o neto do líder sul-africano.