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Descoberta rara revela como viviam os povos da Idade da Pedra

Fragmento de clava cuidadosamente esculpida, vestígios de uma cabana e mais de 5.000 artefatos foram descobertos na Noruega

A camada escura na trincheira é o chão de uma cabana da Idade da Pedra - Museu de História Cultural

Durante o verão no leste da Noruega, uma equipe de arqueólogos liderada por Silje Hårstad, do Museu de História Cultural, fez uma descoberta impressionante: metade de uma clava de pedra esculpida à mão, com cerca de 9.000 anos, em um antigo assentamento localizado em Horten, onde uma nova ciclovia será construída. A peça, com um furo perfurado de ambos os lados para encaixe de um cabo, é considerada uma das melhores descobertas do sítio arqueológico.

“É obviamente moldada por humanos. Era redonda, ligeiramente oval, com um furo central que mostra marcas de desgaste, como se tivesse sido usada para bater em algo — possivelmente para amolecer fibras”, explicou Hårstad. Segundo ela, a peça funciona como um verdadeiro martelo da Idade da Pedra.

Os clubes de poço, como são chamados, variam desde versões simples, como a encontrada em Horten, até exemplares elaborados em forma de estrela ou cruz, muitas vezes decorados com entalhes e símbolos. Embora alguns possam ter sido usados como ferramentas, especialistas como o arqueólogo Knut Andreas Bergsvik, da Universidade de Bergen, apontam que os modelos mais ornamentados provavelmente tinham significado simbólico ou cerimonial.

É possível que fossem símbolos de status, associados a caçadores respeitados ou líderes tribais”, afirma.

Mais descobertas

Além da clava, a escavação revelou mais de 5.000 objetos, entre fragmentos de anzóis, ferramentas, ossos queimados e vestígios de uma antiga cabana com cerca de 10 metros quadrados. O local, descrito por Hårstad como uma “cápsula do tempo”, mostra evidências de um modo de vida mais estável e avançado do que se pensava para a época.

Há 9.000 anos, o mar estava cerca de 70 metros acima do nível atual e a costa se estendia mais para o interior. O assentamento, então à beira de uma enseada, provavelmente servia como porto, área de preparo de alimentos e oficina para confecção de ferramentas. A presença de restos ósseos em diferentes pontos do local pode revelar mais sobre a dieta da comunidade, que poderia incluir tanto animais marinhos quanto terrestres.

Segundo a ‘Archaeology Magazine’, a equipe pretende utilizar datação por carbono em avelãs carbonizadas encontradas no local — um método considerado mais preciso do que a datação por madeira, por refletir a produção e o consumo no mesmo ano. As avelãs, aliás, eram populares entre os povos da Idade da Pedra, que podem ter cultivado aveleiras para garantir boas colheitas.

Para Bergsvik, o assentamento é um achado crucial. “Este sítio reúne todos os elementos que mostram uma mudança fundamental na vida das pessoas. Elas deixaram de ser nômades, fixaram-se por mais tempo em determinados locais, investiram na construção de casas resistentes, aumentaram a pesca e criaram novos objetos. É um momento chave de transição tecnológica e cultural”, conclui.