Especialistas restauram as misteriosas esferas de Diquís
Restauração de esferas da cultura Diquís une México e Costa Rica, preservando o legado pré-colombiano em projeto inovador no Museu Finca 6

Profissionais de conservação do México e Costa Rica uniram esforços para restaurar três esferas de calcário da antiga cultura Diquís, que estão preservadas no Museu Finca 6, localizado em Palmar de Osa.
Esse projeto, realizado entre julho e agosto, integra uma colaboração de longa data voltada para a conservação do patrimônio cultural, que já dura uma década, entre o Museu Nacional da Costa Rica e a Escola Nacional de Conservação, Restauração e Museografia do México (ENCRyM).
Mais de 300 esferas de pedra, conhecidas como Esferas Diquís, foram descobertas nas áreas da Isla del Caño e Delta do Diquís. Esses artefatos pré-colombianos são emblemáticos do legado cultural da região e pertencem à extinta cultura Diquís, que prosperou no sul da Costa Rica durante a era Sinu (aproximadamente 1500 – 300 a.C.). Estudos indicam que essas esferas eram inicialmente colocadas em praças cerimoniais ou ao longo de caminhos que levavam às residências dos chefes, servindo tanto para fins decorativos quanto políticos.
As esferas
As três esferas em processo de restauração foram encontradas originalmente na Finca 4, um local famoso por abrigar o maior número de esferas conhecidas, organizadas em padrões geométricos associados a estruturas vizinhas. Essas esferas diferem da maioria das outras, geralmente feitas de rochas ígneas mais duras, pois são compostas de conglomerado de calcário, um material raro e menos resistente. A pedra clara apresenta conchas fossilizadas e depósitos de cálcio que a tornam vulnerável a condições ambientais adversas.
Por muitos anos, as esferas estiveram expostas em uma comunidade próxima à estrada antes de serem transferidas para o museu Finca 6. Devido à exposição à chuva, microorganismos e variações de umidade, apresentavam fissuras, perda de material e alterações na superfície. Para restaurá-las, os conservadores aplicaram diversos tratamentos que incluíram limpeza mecânica, remoção do crescimento microbiano e aplicação de bactericidas suaves. Áreas delicadas foram estabilizadas com argamassa à base de cal misturada com pó de calcário, garantindo compatibilidade com a pedra original.
A restauração incluiu pequenos ajustes cromáticos utilizando pigmentos naturais, realizados de forma a serem identificáveis e reversíveis, conforme os padrões internacionais de conservação. Novas bases foram construídas para oferecer suporte estável às esferas, que agora estão expostas sob uma proteção adequada. Sua condição é monitorada por meio de controles de temperatura e umidade como parte de uma estratégia preventiva ampliada.
Segundo o ‘Archaeology News’, a equipe binacional também está documentando cada detalhe da intervenção com relatórios técnicos e fotografias, criando um glossário de conservação para ser utilizado na padronização do monitoramento futuro. Além das três esferas de calcário, outros artefatos Diquís no Finca 6 e em outros locais considerados Patrimônio Mundial na região do delta estão passando por manutenção.