Ed e Lorraine Warren: O ‘lado B’ do casal de demonologistas
Mentiras, manipulações, abusos e traições: nas telonas os Warren são tratados como heróis, mas na vida real eles podem ser seus próprios pesadelos

‘Invocação do Mal 4: O Último Ritual’ encerra a saga cinematográfica do casal Ed e Lorraine Warren nas telonas, após mais de uma década. Ao longo os filmes, somos apresentados a dupla de demonologistas que lutra contra forças sobrenaturais e diabólicas.
Os Warren já morreram, mas os filmes certamente ajudaram a construir uma imagem pública deles como um casal íntegro e cristão — sendo verdadeiros heróis da guerra contra Satanás.
Mas, na realidade, os Warren não tinham uma imagem tão polida assim. Além das acusações de charlatanismo, Ed e Lorraine — principalmente ele — teriam passado anos abusando de Judith Penney.
Em 2014, Penney (então na casa dos 70 anos), alegou ter morado na casa dos Warren em Connecticut por cerca de quatro décadas. Neste período, ela não só se relacionou com Ed, como tudo teria acontecido sob plena consciência de Lorraine. Judith, inclusive, teria engravidado de Warren, mas foi obrigada a abortar sob ordens de Lorraine.
Conheça o ‘Lado B’ do casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren!
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As acusações contra os Warren
No ano de 2017, o The Hollywood Reporter publicou uma série de acusações contra Ed e Lorraine Warren. O veículo havia recebido documentos e gravações judiciais que ‘desmascaravam’ uma versão pouco conhecida sobre o casal.
Nesta altura, vale ressaltar, três filmes da franquia já haviam sido lançados: Invocação do Mal (2013), Annabelle (2014) e Invocação do Mal 2 (2016) — e, no mesmo ano, Annabelle 2: A Criação do Mal entrou em cartaz.
Ed Warren também já havia falecido (em 2006, aos 79 anos) e Lorraine vivia seus últimos anos (ela faleceu em 2019, aos 92).
As alegações de Penney contra os Warren apontam muitas coisas chocantes: primeiro que ela começou a se relacionar com Ed quando tinha apenas 15 anos — e ele já estava na casa dos 30.
Ela ainda diz que Lorraine sabia do relacionamento extraconjugal, até porque ela viveu na mesma casa que eles por quatro décadas. Outra parte das acusações diz que Penney engravidou de Ed e foi obrigado por Lorraine a abortar.
A Warren ainda teria pedido para ela mentir sobre a natureza da gravidez — alegando que uma pessoa tivesse invadido sua casa e a estuprado no meio da noite. Por fim, Penney ainda aponta que Ed Warren, às vezes, abusava fisicamente de Lorraine.
O início da relação
Segundo narra Judith Penney, ela foi morar com os Warren quando Ed ainda trabalhava como motorista de ônibus urbano em Monroe, Connecticut. Ela teria morado em um quarto do outro lado do corredor e, mais tarde, em um apartamento acima deles, quando ficou um pouco mais velha.
Em 1963, Penney foi presa após a polícia receber uma denúncia sobre ela e Ed Warren, durante a qual as autoridades tentaram persuadir Penney a assinar uma declaração admitindo o “caso”. Quando ela se recusou, foi obrigada a se apresentar em um centro de delinquência juvenil por um mês — para onde, segundo ela, Ed Warren a levou.
Já em maio de 1978, Penney disse que engravidou de Ed (quando ela tinha cerca de 30 anos). Lorraine ficou preocupada que a gravidez causasse um escândalo na reputação dos Warren e ordenou que ela não tivesse o filho.
Penney também disse que, apesar de se apresentarem como católicos devotos, “o verdadeiro deus dos Warren é o dinheiro”. Depois de fazer um aborto, Penney disse que lhe disseram para mentir sobre as circunstâncias.
Eles queriam que eu contasse a todos que alguém tinha entrado no meu apartamento e me estuprado, e eu não faria isso. Eu estava com muito medo. Não sabia o que fazer, mas fiz um aborto. Na noite em que me buscaram no hospital depois do aborto, saíram, me deram um sermão e me deixaram sozinha.”
Ela ainda aponta uma série de abusos de Ed contra a esposa, apontando que certa vez Lorraine foi agredida com tanta força que ela perdeu a consciência.
Às vezes, o Ed tinha que dar um tapa na cara dela para ela se calar”, disse Penney. “Em algumas noites, eu achava que eles iam se matar.”
As manipulações
As polêmicas contra os Warren não acabam por aí. Antes de serem retratados de forma impecável nos filmes, o casal ganhou muito dinheiro publicando livros que contavam histórias de suas diversas investigações paranormais.
Em 1992, por exemplo, ‘Lugar Sombrio’ foi best-seller e, anos depois, se tornou a base para o filme de terror ‘A Assombração em Connecticut’ (2009). Porém, Ray Garton, coautor do livro, explicaria mais tarde o quanto o livro era uma farsa.
Ao Vox, ele admitiu que os Warren estavam totalmente cientes de que o caso provavelmente era uma farsa, mas supostamente o encorajaram a inventar coisas para vender o livro:
“Ao reunir todas as informações necessárias para o livro, descobri que os relatos individuais dos Snedekers não se encaixavam muito bem. Eles simplesmente não conseguiam manter suas histórias coerentes.
Fui até o Ed com esse problema. ‘Ah, eles são loucos’, disse ele. ‘Todo mundo que vem até nós é louco. Senão, por que viriam até nós? Você tem parte da história – basta usar o que funciona e inventar o resto. E torná-la assustadora. Você escreve livros assustadores, certo? Foi por isso que contratamos você. Então, invente e torne-a assustadora’.”