Mistério de barris com “halo” no fundo do mar chega ao fim
Após décadas de especulações sobre o conteúdo dos barris submersos, uma nova pesquisa identificou os resíduos presentes

Desde que surgiram, no início de 2020, imagens dos misteriosos barris submersos no oceano próximo à costa de Los Angeles — muitos deles rodeados por halos brancos incomuns no sedimento — acreditava-se que continham DDT, o infame pesticida banido na década de 1970. A razão dessa suspeita era fácil de entender: a área já apresentava contaminação elevada por DDT, e até então, os barulhos sobre os halos sugeriam que poderiam cristalizar a substância em volta dos recipientes.
No entanto, uma equipe liderada pela microbiologista Johanna Gutleben, da Scripps Institution of Oceanography, realizou coletas de sedimentos próximas a cinco desses barris em 2021, com auxílio de um veículo operado remotamente. O resultado foi surpreendente: os níveis de DDT não aumentavam na proximidade dos barris — o que descartava a hipótese de que eles continham esse pesticida.
Conteúdo dos barris
Em vez disso, os pesquisadores encontraram concentrações extremamente elevadas de pH (em torno de 12) e quase nenhuma vida microbiana nos arredores dos barris. Isso indica que o material vazado era altamente alcalino — e, portanto, letal à maioria dos organismos marinhos.
Embora o estudo não tenha identificado substâncias químicas específicas, sabe-se que os processos industriais de produção de DDT e de refino de petróleo geram resíduos alcalinos — e que esses resíduos geralmente não eram simplesmente despejados, mas sim retirados do local após o uso; o que resta nos barris é um enigma histórico.
A característica do halo branco ao redor dos barris também encontrou explicação: o resíduo alcalino reage quimicamente com o magnésio presente na água, formando uma crosta de brucita (hidróxido de magnésio). Essa crosta, por sua vez, se dissolve lentamente, mantendo o pH elevado e provocando a precipitação de carbonato de cálcio — o pó branco que vemos em torno dos barris.
Outro achado revelador foi a persistência desses contaminações por mais de meio século — com efeitos ambientais duradouros semelhantes aos do DDT. Os cientistas enfatizam que essa descoberta exige atenção urgente: a identificação dos halos como indicadores de contaminação alcalina pode ajudar a mapear com maior precisão o alcance e intensidade do problema.
Estima-se que cerca de um terço dos barris identificados apresentam esses halos, embora ainda seja incerto se essa proporção se mantém em toda a extensão da área descoberta, informa o Live Science.