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Arqueólogos concluem fase de pesquisa no ginásio real de Mieza

Escavações revelam estrutura monumental associada a Filipe II e Alexandre, o Grande, além de objetos ligados ao ensino de Aristóteles

Escavações do antigo ginásio real de Mieza - Ministério da Cultura e Esportes da Grécia

A primeira fase de um ambicioso projeto de pesquisa no ginásio real da antiga Mieza, na Macedônia, foi concluída, trazendo novas revelações sobre um dos sítios arqueológicos mais significativos da região. A iniciativa é fruto de um Acordo Programático firmado em agosto de 2024 pela ministra da Cultura, Lina Mendoni, e pelo prefeito de Naoussa, Nikos Koutsogiannis.

Sob a direção da curadora honorária Angeliki Kottaridi e do Eforato de Antiguidades de Ímácia, os trabalhos envolveram escavação, limpeza, conservação, documentação e estudo dos achados, além de preparativos para a proteção do complexo monumental. Entre os destaques, está a restauração em andamento da seção ocidental do xisto, o pórtico dórico onde atletas treinavam.

Achados

As escavações confirmaram que o vasto complexo, datado do século 4 a.C., foi construído a partir de um plano unificado, reforçando sua ligação com o rei Filipe II e seu filho, Alexandre, o Grande. Uma das descobertas mais impressionantes é a configuração espacial composta por três enormes terraços esculpidos na rocha, cobrindo cerca de 6 hectares. Esse espaço abrigava o complexo sudoeste, a palestra e o xisto de dois andares, com quase 200 metros de comprimento.

Elementos arquitetônicos revelam semelhanças com o palácio real de Aigai, como o uso de argamassa branca de alta qualidade, mas também ressaltam o caráter único do ginásio, destinado tanto ao treinamento atlético quanto à educação intelectual. Em algumas áreas, paredes de pórfiro chegam a dois metros de altura.

Além da imponência estrutural, os achados oferecem pistas sobre a vida cotidiana da elite macedônia. Fragmentos de ânforas panatenaicas — usadas para armazenar azeite de oliva de Atenas — foram localizados nas áreas de preparação dos atletas. Já a descoberta mais simbólica foi a de quatro estiletes, semelhantes aos usados pelos alunos de Aristóteles, reforçando a tradição de que o filósofo teria ensinado Alexandre e seus companheiros em Mieza.

Segundo a ‘Archaeology Magazine’, o projeto terá continuidade com novas etapas de pesquisa, conservação e restauração, além de planos para promover o sítio ao público. Assim, Mieza reafirma sua importância como centro de excelência atlética e filosófica na época de Alexandre, o Grande.