Kim Jong-Un: Como é o trem usado nas viagens do ditador?
Kim Jong-Un utiliza transporte blindado e altamente seguro, que serve como espaço de trabalho, descanso e propaganda oficial de seu governo

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, deixou a capital Pyongyang nesta segunda-feira, 1, em direção a Pequim a bordo de um trem especial, segundo informou a agência sul-coreana Yonhap. Embora a viagem sobre trilhos seja significativamente mais lenta que o transporte aéreo, ela mantém uma tradição estabelecida há décadas pela família Kim, que vê nos trens blindados uma forma de deslocamento estratégico, seguro e, ao mesmo tempo, simbólico.
Desde que assumiu o poder em 2011, Kim já utilizou o transporte ferroviário para visitas oficiais à China, ao Vietnã e à Rússia. Especialistas afirmam que não há apenas um trem oficial, mas vários, usados de forma coordenada para confundir potenciais inimigos. Cada locomotiva conta com 10 a 15 vagões, incluindo dormitórios, escritório, restaurante, sala de reuniões, além de espaço reservado para carros blindados da comitiva.
Trem de Kim Jong-Un
As viagens também funcionam como palco de propaganda. Um vídeo divulgado em 2018, pela TV estatal, mostrou Kim recebendo autoridades chinesas em um vagão decorado com sofás cor-de-rosa. Em outra ocasião, em 2020, câmeras exibiram vagões com iluminação em formato de flor e poltronas com estampa de zebra, reforçando a aura de luxo que envolve o transporte do líder.
A tradição, porém, não começou com ele. Seu avô, Kim Il-sung, viajou de trem para diversos compromissos diplomáticos até sua morte em 1994. Já seu pai, Kim Jong-il, utilizava exclusivamente esse meio para encontros internacionais, inclusive em uma jornada de 20 mil quilômetros até Moscou em 2001. Foi em um desses vagões que ele morreu, em 2011, vítima de um ataque cardíaco — o trem permanece exposto em seu mausoléu como peça de culto político.
Embora avance lentamente — até 80 km/h na China e apenas 45 km/h nos trilhos norte-coreanos —, o trem blindado segue sendo o principal meio de deslocamento da dinastia Kim. Mais que transporte, tornou-se um símbolo de poder, segurança e continuidade da narrativa que o regime insiste em preservar.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli