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Pesquisadores desvendaram informações importantes sobre Titã, a maior lua de Saturno

Colisão antiga de maior lua de Saturno com outro corpo celeste pode revelar mistérios de todo o sistema do planeta; entenda!

Titã pela orbita de cassini - Créditos: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade de Idaho

Uma nova pesquisa combina teorias anteriores, dados da sonda Cassini e simulações para sugerir uma nova história de como surgiu a maior lua de Saturno. O estudo foi publicado este mês no The Planetary Science Journal.

Titã tem cerca de metade do tamanho da Terra e é ainda maior que Mercúrio. Sua força gravitacional faz Saturno oscilar e inclinar. A lua tem se afastado de Saturno a uma velocidade de 11 centímetros por ano. A instabilidade de Titã é apenas uma parte de outros enigmas que os astrônomos tentam resolver sobre Saturno e suas 274 luas.

“Neste artigo, tentei reunir todas essas informações e proponho que existiu uma lua extra há cerca de meio bilhão de anos que colidiu com Titã e que, na verdade, tornou-se parte de Titã”, disse o autor principal, Matija Ćuk, cientista pesquisador do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia.

Hiperlão, a maior lua não esférica de Saturno, que ainda é menor que Titã, poderia ter sido produzida por meio da colisão. A teoria diz que ela poderia ser um fragmento resultante da colisão entre Titã e a lua perdida.

Ćuk ainda acrescentou que a fusão entre Titã e a lua perdida também pode ter levado à formação dos anéis de Saturno.

Antes da missão Cassini, astrônomos acreditavam que as perturbações gravitacionais de Netuno eram responsáveis pela inclinação de Saturno ao longo do tempo: “as órbitas dos planetas são enormes e possuem imensa energia. Mas a rotação dos planetas é muito, muito menor, então, se você conectar esses dois movimentos, a órbita de Netuno e a rotação de Saturno é a rotação de Saturno que irá mudar.”

Em 2022, astrônomos sugeriram que a inclinação era por conta de uma lua perdida, batizada de Crisálida. A lua orbitou o planeta por bilhões de anos, contribuindo com a ressonância de Saturno com Netuno. Ela se aproximou demais de Saturno há cerca de 160 milhões de anos e foi despedaçada em um evento que criou os anéis de Saturno e alterou sua inclinação.

Após refinar essa ideia, Ćuk chegou à conclusão de que a lua perdida colidiu com Titã e perdeu grande parte de sua massa, o que explicaria a órbita instável de Titã e a rotação de Saturno. A gravidade e a massa da lua perdida mantinham Saturno e Netuno sincronizados e o desaparecimento dela pode explicar o motivo de eles estarem desalinhados agora.

Segundo o estudo, os anéis de Saturno podem ter se formado milhões de anos após esse evento. A órbita de Titã pode ter perturbado as outras luas, fazendo com que elas se colidissem e os detritos resultantes formassem os anéis, repercute a CNN Brasil.

Enigma

A origem dos anéis e a evolução das luas de Saturno são um mistério que intriga os cientistas, disse Linda Spilker, pesquisadora sênior. “Os anéis podem ter apenas algumas centenas de milhões de anos, ou podem ter se formado ao mesmo tempo que Saturno”, acrescentou em um e-mail.

O professor emérito de ciências planetárias da Universidade do Arizona, William B. Hubbard, explica que Saturno oscila como um pião em uma frequência suspeitosamente próxima de uma frequência fundamental do sistema solar, mas não está totalmente em sintonia, sugerindo que algum tipo de perturbação relativamente recente pode ter ocorrido.

Carl Murray, professor emérito de matemática e astronomia da Queen Mary University of London, explica que Ćuk apresentou eventos complexos, mas eles são totalmente plausíveis e explica o sistema saturniano como os cientistas veem hoje. Ele ainda completou dizendo que os pesquisadores suspeitavam que o sistema de Saturno havia evoluído desde sua formação, mas que detalhar a expansão dessa mudança sempre foi um problema e que 13 anos de medições detalhadas da Cassini, combinados com dados históricos, ajudaram na descoberta de que a órbita de Titã está expandindo mais rápido que o esperado.


*Sob supervisão de Éric Moreira