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Grande Mãe de Tumba Madžari: a estatueta usada para proteger casas durante a Idade da Pedra

Estatueta quadrada de deusa da Macedônia do Norte foi encontrada no interior de uma casa do assentamento de Tumba Madžari, que teria sido habitado entre 5800 e 5200 a.C.

Grande Mãe de Tumba-Madzari - Crédito: Divulgação/Haemus Macedonia

Era ano de 1981 quando uma escultura de barro conhecida como “Grande Mãe” veio à luz em uma antiga vila da Macedônia do Norte chamada Tumba MadžariA estatueta, que é feita de terracota e mede 39 centímetros de altura, possui formato incomum. Da metade para baixo, possui formato cúbico — que os pesquisadores acreditam reproduzir o desenho das casas da Idade da Pedra que ela teria sido destinada a proteger há quase 8.000 anos.

Já na parte superior, a escultura apresenta uma figura humana com nariz proeminente, umbigo e seios bem definidos, além de olhos lineares posicionados sob sobrancelhas arqueadas. Seus braços estão dobrados para baixo, com as mãos apoiadas sobre a base quadrada. O cabelo parece preso em um rabo de cavalo ou trança na parte de trás da cabeça, e ainda restam vestígios de tinta marrom na testa, que indicam uma possível franja.

Técnica utilizada

A confecção das estátuas de Grande Mãe exigiam certa habilidade artística e técnica. Afinal, destaca o portal Macedonia Times, a argila passava por um processo cuidadoso. Era trabalhada, comprimida e misturada à quantidade certa de água antes de ser moldada no formato desejado. Para garantir durabilidade, a peça precisava ser queimada. Esse processo exigia temperaturas elevadas, entre 900 e 1.000 graus Celsius, um nível de calor difícil de alcançar com os recursos da época. Para isso, os artesãos recorriam a fornos especiais, abastecidos com tipos específicos de lenha capazes de sustentar altas temperaturas, além do uso de foles, que injetavam ar e intensificavam a combustão.

Residência neolítica

Conforme ressalta uma matéria do portal Live Science, a Grande Mãe foi encontrada no interior de uma casa do assentamento de Tumba Madžari, que os arqueólogos acreditam ter sido habitado entre 5800 e 5200 a.C. A construção, de formato quadrado e cerca de 8 por 8 metros, seguia o estilo neolítico tradicional: contava com postes de madeira entrelaçados com galhos e revestidos por uma camada de argila. Próximo ao centro da habitação, havia uma lareira e um forno, onde os pesquisadores localizaram a estátua ao lado de dezenas de panelas, copos e jarras de cerâmica surpreendentemente intactas.

Essa versão da Deusa Mãe Macedônia mostra uma mulher grávida com mãos firmemente colocadas sobre a “casa” – Crédito: Divulgação/Haemus Macedonia

A metade inferior da escultura, destaca a fonte, repete o formato de caixa da própria casa onde foi descoberta. A figura parece erguer-se acima da construção, como se velasse pela habitação, da qual também faz parte simbolicamente. Além disso, o interior oco da base indica que a peça pode ter funcionado como um tipo de altar, no qual incenso, ervas secas ou oferendas de grãos eram queimados.

Culto à Grande Deusa Mãe

De acordo com o Museu Arqueológico da República da Macedônia do Norte, onde os artefatos de Tumba Madžari estão em exibição, “o papel da mulher como portadora da vida e mãe era associado a um culto da fertilidade ou ao culto da Grande Deusa Mãe”.

A fonte destaca que estatuetas semelhantes da Grande Mãe já foram encontradas em diversos sítios arqueológicos neolíticos da Europa e do Oriente Próximo. No entanto, a forma singular da escultura de Tumba Madžari, a qual expressa uma relação simbiótica entre a deusa-mãe e a casa, é considerada única da região dos Bálcãs.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.