The Final Countdown: Como o maior sucesso do Europe causou desgosto na banda?
Canção do Europe, que se tornou um dos hinos mais emblemáticos da década de 1980, acabaria por provocar grandes mudanças nas dinâmicas do grupo

Lançada no ano de 1986, a canção The Final Countdown, do Europe, pode ser considerada um dos hinos mais emblemáticos da década de 1980. O icônico riff carregado de sintetizadores, sustentado por guitarras, baixo e bateria pesados, foi gravado pelo guitarrista norueguês John Norum — e isto em apenas 15 minutos! Mas a faixa que se transformaria no maior sucesso comercial da banda não agradou a todos os integrantes. A verdade é que Norum, que hoje a executa com orgulho, inicialmente detestava a música.
A origem dessa canção remonta a anos antes da entrada do Europe em estúdio. Joey Tempest, vocalista e principal compositor, havia gravado uma demo para servir como música de abertura nos shows. Arquivada por um tempo, ela foi resgatada durante as sessões de composição do novo álbum. O som grandioso, vale mencionar, também refletia a admiração coletiva da banda pelo som do Journey.
Ouvíamos muito o Journey e adorávamos o som de seus álbuns”, recorda Norum.
Neal Schon, guitarrista do grupo americano, era uma de suas grandes influências, e isso motivou o Europe a contratar Kevin Elson, produtor do Journey no final dos anos 1970 e início dos anos 1980.
O início de tudo
As primeiras demos foram feitas na casa de Tempest. De acordo com a revista Guitar.com, quatro ou cinco músicas já estavam prontas quando Elson viajou para a Suécia para realizar a pré-produção, que duraria cerca de duas semanas. A gravação oficial ocorreu no Powerplay Studios, em Zurique, na Suíça, ao longo de cinco semanas. A localização isolada e o ambiente tranquilo permitiram foco absoluto.
“Foi no campo, e nós estávamos morando lá também, pois eles tinham quartos e outras coisas, então estávamos trabalhando constantemente, apenas focando na música, sem distrações externas. Lembro-me de tocar guitarra o tempo todo e Kevin também me deu um ótimo som de guitarra”, relembra Norum.
Para capturar seu som, ele usou uma Fender Stratocaster 1965 ligada a um amplificador Marshall JCM800 de 100 watts, com um Boss Super Overdrive e um Boss DS-1 Distortion combinados. “Tentamos usar cada pedal separadamente, mas simplesmente não parecia funcionar para me dar o som que queríamos alcançar.”
Após as gravações, a banda e Elson foram para São Francisco, onde mixaram o álbum no Fantasy Studios, o mesmo local usado pelo Journey. Foi também a primeira vez que o Europe esteve nos Estados Unidos. O resultado foi explosivo: o álbum atingiu o número 1 em 25 países e a banda embarcou em uma turnê mundial.

Desconforto
No entanto, para Norum, o sucesso trouxe desconforto. Ele via o Europe afastar-se do hard rock e aproximar-se de um som mais pop, com maior protagonismo dos teclados.
“Quando você obtém sucesso tão rápido, passa tão rápido, e você realmente não sabe como funciona e tudo mais”, explicou o músico. “De repente, é como se você tivesse que se levantar e fazer as entrevistas todos os dias, de manhã à noite, e programas de TV e pegar voos cedo e todas essas coisas. E os teclados estavam assumindo muito mais, nós nos tornamos mais como uma banda pop”, destacou o artista, de acordo com a Guitar.com.
“Eu odiava toda aquela imagem chiclete com o cabelo grande e as calças de spandex e toda aquela imagem dos anos oitenta. Então alguns caras da banda ficaram muito arrogantes, e fazendo sexo, drogas e rock and roll demais e bebendo todos os dias, o tempo todo. Eu constantemente acordava com ressaca e finalmente percebi que esta vida não era para mim. Não é o que eu queria fazer e não era eu e eu não queria fazer parte disso. Então, eu desisti”, relembrou.
Norum seguiu carreira solo, enquanto o Europe continuou até 1992. Em 2003, a formação clássica se reuniu, com o guitarrista de volta. A banda mantém-se ativa desde então e, atualmente, prepara um novo álbum com lançamento previsto para o final de 2025.