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O filho de Albert Einstein que passou a vida em uma clínica psiquiátrica

Conheça a triste história de Eduard, filho de Albert Einstein que passou décadas internado na clínica psiquiátrica de Burghölzli, ligada à Universidade de Zurique

Albert Einstein em 1900
Albert Einstein em 1900 - Getty Images

Albert Einstein é, indiscutivelmente, um dos cientistas mais célebres de todos os tempos. No entanto, poucos conhecem a história de seu filho mais novo, Eduard Einstein, fruto do casamento com sua primeira esposa Mileva Marić. O cientista a conheceu no Instituto Politécnico de Zurique, em 1896. Quatro anos mais velha e única mulher a estudar física na instituição, Mileva acabou por chamar atenção do jovem estudante e os dois se apaixonaram. O casamento ocorreu em 1903 e resultou em três filhos: Lieserl — que possivelmente foi entregue para adoção —, Hans Albert e, por fim, Eduard, nascido em 28 de julho de 1910, em Zurique.

O casal se separou em 1914, mas Albert manteve contato frequente com os filhos por meio de cartas. Embora Mileva mais tarde lamentasse que o ex-marido priorizasse a ciência em detrimento da família, Hans Albert lembraria que, na infância, o pai costumava interromper o trabalho para passar horas cuidando dos filhos, enquanto a mãe se ocupava das tarefas domésticas.

Problemas de saúde

Desde muito cedo, Eduard apresentou problemas de saúde. Frágil e frequentemente doente, o garoto passou os primeiros anos de vida limitado por enfermidades que, muitas vezes, o impediam até mesmo de viajar com o restante da família. Segundo o portal All That’s Interesting, sua condição preocupava profundamente Albert, que chegou a escrever, em 1917, uma carta dizendo que o estado do filho o deprimia e que temia que ele jamais se tornasse um adulto plenamente desenvolvido. Inclusive, Einstein chegou a se perguntar se não seria melhor para o filho partir antes de enfrentar os sofrimentos da vida.

Ainda assim, o afeto paterno falou mais alto. Determinado a ajudar Eduard, ele custeou tratamentos e chegou a acompanhá-lo pessoalmente em internações em sanatórios. Com o passar dos anos, Eduard — a quem o pai chamava carinhosamente de “Tete”, diminutivo do francês petit — revelou interesses artísticos e intelectuais. Ele gostava de poesia, tocava piano e demonstrou grande fascínio pela psiquiatria. Admirador declarado de Sigmund Freud, ingressou na Universidade de Zurique com o objetivo de se tornar psiquiatra.

Em colapso

Nesse período, porém, a fama de Albert Einstein já era esmagadora e, em um texto de autoanálise, Eduard confessou o peso de carregar um sobrenome tão célebre, afirmando que, às vezes, era difícil ter um pai tão importante sem se sentir insignificante.

Os dois filhos de Albert Einstein, Eduard e Hans Albert, em julho de 1917 – Crédito: Getty Images

Assim como Albert, ele se envolveu com uma mulher mais velha durante a universidade, relacionamento esse que terminou de forma dolorosa. Foi nesse contexto que sua saúde mental entrou em colapso. Em 1930, Eduard tentou tirar a própria vida. Diagnosticado com esquizofrenia, ele passou a ser submetido a tratamentos psiquiátricos agressivos, comuns à época, que provavelmente agravaram seu quadro, afetando sua fala e suas capacidades cognitivas.

Albert acreditava que a condição do filho tivesse origem hereditária, vinda do lado materno, mas isso não diminuiu sua culpa nem seu sofrimento. Sua segunda esposa, Elsa, chegou a comentar que aquela dor estava consumindo o cientista.

Ascensão do nazismo

Como se não bastasse o drama familiar, Einstein enfrentou também a ascensão do nazismo. Judeu, foi impedido de retornar à Alemanha após Hitler chegar ao poder, em 1933, e acabou fugindo para os Estados Unidos. Ele esperava levar os filhos consigo, mas o estado mental de Eduard tornou isso impossível.

Antes de emigrar, Albert visitou o filho pela última vez no asilo onde ele estava internado. Embora continuasse a escrever cartas e enviar dinheiro para seu tratamento, pai e filho nunca mais se encontraram.

Eduard Einstein passou mais de trinta anos internado na clínica psiquiátrica de Burghölzli, ligada à Universidade de Zurique. Morreu em outubro de 1965, aos 55 anos, vítima de um derrame, e foi sepultado no cemitério de Hönggerberg, em Zurique.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.