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Monstro: o que aconteceu com o assassino em série Ed Gein?

Retratado em 'Monstro: A História de Ed Gein', o "O Açougueiro de Plainfield" foi um dos assassinos em série mais insólitos dos Estados Unidos

Ed Gein: realidade e ficção / Crédito: Getty Images / Divulgação/Netflix

Na última semana, chegou ao catálogo da Netflix a nova temporada de uma das antologias mais populares da atualidade: ‘Monstro: A História de Ed Gein‘. Dividida em oito episódios, a produção acompanha os horrores cometidos e a vida daquele que também ficou conhecido como “O Açougueiro de Plainfield”, e é até hoje um dos assassinos em série mais perturbadores que os Estados Unidos já viu.

Na década de 1950, Ed Gein (interpretado na série por Charlie Hunnam) foi condenado pelo homicídio de duas mulheres, além de ser suspeito no desaparecimento de outras cinco e de ser ladrão de lápides. Mas isso era apenas a ponta do iceberg: quando a polícia o investigou, descobriu um cenário completamente brutal em sua casa, com partes de corpos espalhados por todos os lugares, como decoração.

A história de Ed Gein foi tão impactante, que hoje temos até mesmo vários vilões de filmes de terror inspirados nele. Como exemplo, estão Leatherface, de ‘O Massacre da Serra Elétrica’, Buffalo Bill de ‘O Silêncio dos Inocentes’, e Norman Bates, de ‘Psicose’ — um dos filmes mais memoráveis da carreira de Alfred Hitchcock, que, inclusive, é retratado na série. Confira o trailer:

Após tamanhas atrocidades cometidas, o que o destino reservou para Ed Gein? Confira!

Prisão

Gein foi preso em 1957, quando a polícia o investigou por suspeita de matar Bernice Worden, dona de uma loja de ferramentas de Plainfield, no estado norte-americano de Wisconsin. Segundo a Associated Press, a polícia chegou na casa de Gein para o interrogar, mas não foram atendidos — porém, entraram logo ao perceber o corpo de uma mulher pendurado pelos calcanhares.

Quando entraram, identificaram que aquela mulher era Worden; mas, além dela, havia partes decepadas de corpos espalhadas pela casa, incluindo um abajur, móveis e canecas inteiramente decorados ou feitos com pele humana, narizes, órgãos e cabeças.

Aos investigadores, Gein confessou ter matado duas pessoas — embora existam suspeitas de que foram até 9 vítimas —, mas acabou sendo considerado inapto para julgamento. Em vez de ir para uma prisão comum, foi enviado ao Hospital Estadual Central para Criminosos Insanos, em Waupun.

Ed Gein detido / Crédito: Getty Images

O assassino só foi julgado de fato mais de uma década depois, sendo considerado culpado em 1968, e condenado à prisão perpétua. O mesmo juiz também decidiu, posteriormente, que o homem era louco no momento do crime, e o enviou de volta ao Hospital Estadual Central.

Lá, Gein trabalhou como carpinteiro, pedreiro e até atendente de hospital. Alegando sanidade, ele chegou a buscar liberdade em 1974, mas não conseguiu — porém, curiosamente, as autoridades confirmaram na audiência que Gein nunca foi um problema no hospital, embora pudesse reagir mal a outras pessoas de lá.

Morte

Mais de duas após a prisão, Gein foi transferido para o Instituto de Saúde Mental Mendota em 1978, onde permaneceu até sua morte. Segundo um relatório da Unites Press Internacional, ele faleceu no dia 26 de julho de 1984, aos 77 anos, com uma insuficiência respiratória. Outras autoridades do instituto também disseram que ele havia sido diagnosticado com câncer.

Porém, vale destacar que o assassino já havia inspirado cineastas antes mesmo de sua morte. ‘Psicose’, de Hitchcock, foi lançado em 1960; já o primeiro ‘O Massacre da Serra Elétrica‘ — com o vilão Leatherface, que usa uma máscara feita com a pele de suas vítimas —, de Tobe Hooper, e um dos pioneiros no subgênero slasher, estreou em 1974.

Final em ‘Monstro’

(Cuidado com os spoilers).

Na nova série da Netflix, a morte de Ed Gein é retratada com grande licença poética. Os espectadores podem vê-lo sentado em frente à TV no Instituto de Mendota, mas aparentemente em um estado de alucinação; enquanto as enfermeiras em seu entorno dançam ‘Owner of a Lonely Heart’, do Yes, sua cadeira de rodas avança pelo corredor, até ele ver sua mãe, Augusta, no topo da escada — para entender mais sobre a relação de Augusta Gein com a história e os horrores cometidos pelo filho, confira aqui.

“Você finalmente chegou”, diz Ed à mãe, após subir a escada para encontrá-la. E ela responde: “Ah, claro que sim. Achei que você ficaria feliz”.

A mãe complementa, dizendo que Ed “conquistou alguém” com os filmes que inspirou. “No final, você realmente conquistou algo”, ela diz. E ele responde: “A única pessoa que eu queria impressionar era você”.

Finalmente, após Augusta dizer que “não poderia estar mais orgulhosa”, Ed diz que acredita que sua hora chegou. E nessa cena emocionante, a câmera mostra o assassino na cama, em seus últimos suspiros.

Imagem de divulgação de ‘Monstro: A História de Ed Gein’ / Crédito: Divulgação/Netflix

Charlie Hunnam, intérprete de Gein na série, falou ao Today sobre sua despedida do personagem, e que até visitou o túmulo de Gein após o fim das filmagens: “achei que seria bom, uma boa conclusão, ir visitar o túmulo dele e dizer o que eu queria dizer a ele — basicamente, que espero que tenhamos contado a história dele honestamente, no mínimo, e não o tenhamos convidado a embarcar na jornada comigo daqui para frente. Eu estava pronto para me despedir dele e ponto final”.

Vale mencionar, por fim, que Gein foi enterrado em Plainsfield, Wisconsin, mesma cidade em que cometeu seus atos mais atrozes. No ano 2000, sua lápide foi roubada, e nunca mais foi recolocada — mas, ainda assim, Ed Gein conseguiu não ser apagado, de uma forma assombrosa, da história americana.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.