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Love Story revisita o casal Kennedy em meio à fama e legado

Série mergulha na relação entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette para discutir celebridade, pressão midiática e a humanidade

Love Story Kennedy capa
Imagem Promocional de Love Story - Divulgação

Em uma era obcecada por curtidas, exposição e culto à imagem, os produtores de Love Story, Brad Simpson, Connor Hines e Nina Jacobson enxergaram nos anos 1990 um espelho surpreendentemente atual. A série revisita a trajetória de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy, casal que mobilizou a imprensa internacional e se tornou símbolo de glamour, estilo e tragédia no fim do século XX. Mais do que reconstruir uma história já amplamente documentada, o projeto propõe uma reflexão sobre o peso de ser visto o tempo todo — e sobre o que significa tentar viver um amor sob vigilância constante.

Questionados sobre por que este seria o momento ideal para revisitar John e Carolyn Kennedy, os produtores apontam para a atual cultura da celebridade. “Em um dia e uma idade em que há um prêmio tão alto em fama e celebridade”, afirmam, “eles eram, de tantas formas, o casal original de mídia social glamourosa dos anos 90”.

A comparação com o universo digital contemporâneo não é gratuita. Embora tenham vivido antes da consolidação da internet como espaço de exposição pessoal, John e Carolyn Kennedy experimentaram algo semelhante ao que hoje se convencionou chamar de “vida no feed”: cada passo era fotografado, analisado, comentado.

A série, segundo eles, funciona como uma deconstrução do que significa ser famoso e constantemente observado. O objetivo não é apenas revisitar o mito, mas investigar as fissuras que surgem quando a intimidade se torna espetáculo. “O show é uma deconstrução do que significa ser famoso e constantemente visto, e os desacordos que podem vir com esse tipo de atenção”, explicam. Ainda assim, há espaço para celebrar o que consideram um testemunho de amor: a forma como o casal enfrentou a pressão externa e permaneceu unido enquanto pôde.

Pesquisa histórica

Para sustentar essa abordagem, o processo de pesquisa foi descrito como extensivo. “Lemos tudo imaginável sobre os dois”, contam os produtores. Biografias, reportagens, registros públicos e memórias ajudaram a compor um retrato mais complexo do casal. Longe de ser um fardo, a etapa investigativa foi encarada como um privilégio. Afinal, tratava-se de mergulhar na vida de figuras que continuam a fascinar o público décadas depois.

A linhagem de John também é elemento central na narrativa. Filho de John F. Kennedy e Jacqueline Kennedy Onassis, ele carregava o peso de um sobrenome que moldou a história política dos Estados Unidos. A série aborda essa herança — incluindo a presença de Jackie, interpretada por Naomi Watts — como parte de um legado que inevitavelmente influenciou o casamento.

Mas a reconstrução não se limitou às figuras centrais. A Nova York dos anos 1990 ganha destaque como personagem viva da trama. A produção filmou em locais originais frequentados pelo casal, como o restaurante Bubby’s, o The Odeon e o Indochine — endereços ainda emblemáticos da cena cultural nova-iorquina. Também foram utilizadas áreas externas do prédio em North Moore Street, onde ficava o loft de John, célebre pelas imagens de paparazzi que se acumulavam do lado de fora.

A intenção era transportar o espectador diretamente para aquela década. “Queríamos que, ao entrar no show, fosse como ir direto para os anos 90 de Nova York”, dizem. Seja pela memória de quem viveu o período, seja pelo imaginário construído por filmes e programas de TV, a ambientação busca evocar uma sensação de familiaridade histórica.

Humanizando os Kennedy

Diante de uma família tão central na história moderna americana quanto os Kennedy, evitar a autocomplacência ou a mitificação excessiva era um desafio evidente. Segundo os produtores, a estratégia foi aproximar todos os personagens com compaixão. “Nosso objetivo era mostrar quem eram os verdadeiros, além dos personagens públicos conhecidos pelo mundo.”

A preocupação em humanizar é particularmente visível na construção de Carolyn. Diferentemente de John — cuja imagem pública foi formada desde a infância, quando o mundo o viu saudar o caixão do pai —, ela nunca havia vivido sob tamanho escrutínio. “Esses personagens são pesados por serem ícones”, observam os produtores, “mas estamos interessados nos seres humanos e no quão difícil é viver a sua vida enquanto ocupa o papel de um ícone.”

Para compreender melhor quem era Carolyn além das fotografias de rua que ajudaram a consolidar sua aura de elegância minimalista, a equipe recorreu a obras como Once Upon a Time, de Elizabeth Beller. O livro foi descrito como um “mapa afetivo” para entender sua sensibilidade e sua experiência ao ingressar em um universo de expectativas quase irreais. Outras publicações, como as de Connor Kennedy, também contribuíram para oferecer perspectivas mais íntimas.

A discrepância entre as trajetórias públicas de John e Carolyn é um dos eixos dramáticos da série. Enquanto ele cresceu diante das câmeras e concedeu diversas entrevistas ao longo da vida, ela permaneceu quase silenciosa — famosa sobretudo pelas imagens capturadas nas ruas. A série busca preencher esse silêncio com camadas emocionais, imaginando o que significava atravessar o “aquário” da fama sem ter escolhido plenamente esse papel.

Amor como legado

Ao final, o sentimento que os produtores esperam despertar no público é esperança. “Com uma história de amor como essa, você quer deixar as pessoas com um senso de esperança”, afirmam. Apesar das tensões, das diferenças e da pressão constante, há na narrativa a imagem de um casal que lutou para permanecer junto.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.