Heróis de quatro patas: os cães de resgate do 11 de setembro
Um dos episódios mais traumáticos da história dos EUA, o atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 foi seguido por resgates com mais de 300 cães

No dia 11 de setembro de 2001, o mundo todo voltou sua atenção para uma tragédia sem precedentes, que acabou determinando um grande marco global na referência a atentados terroristas e na então aparente hegemonia norte-americana: o atentado às Torres Gêmeas.
Na ocasião, as duas torres do World Trade Center, e também o Pentágono, em Arlington, no estado da Virgínia, foram atingidas por aviões, que colapsaram completamente sua estrutura. Ao todo, quase 3.000 pessoas morreram, entre civis que estavam nos aviões e pessoas nos prédios e nos arredores, e os 19 sequestradores envolvidos na ação terrorista.
O atentado foi orquestrado pela organização fundamentalista islâmica Al-Qaeda (que tinha como líder Osama bin Laden) e, até hoje, o episódio é lembrado como um dos mais marcantes da história global do século 21.

Mesmo após o fim dos ataques, o cenário caótico já estava instaurado, e completamente devastado. Nos dias que se seguiram, socorristas se mobilizaram para atender ao chamado de socorro e em busca de outros sobreviventes presos nos escombros — e, ao lado deles, estavam também outros “heróis de quatro patas“: cerca de 300 cães trabalharam nos resgates, ajudando a encontrar e salvar o maior número possível de pessoas.
Heróis caninos
São vários os cães conhecidos por trabalharem nos resgates após os atentados de 11 de setembro. Uma delas é Sage, uma border collie que, conforme repercute o All That’s Interesting, encontrou não apenas sobreviventes, como também o corpo de um terrorista, em meio aos destroços do Pentágono.
Já nas Torres Gêmeas, em Nova York, um habilidoso pastor alemão chamado Trakr trabalhou nas buscas em meio aos escombros. Ao longo de sua carreira como cão socorrista, ele se mostrou tão habilidoso, que, mais tarde, foi até mesmo clonado.
Um golden retriever chamado Riley também ajudou nas buscas pelos sobreviventes — sendo imortalizado no livro ‘A História do Mundo em Cinquenta Cães’, de Mackenzie Lee, publicado em 2019 —, bem como Jake, um labrador preto americano, que trabalhou não só no 11 de setembro, mas também depois, em 2005, no resgate de sobreviventes após o devastador furacão Katrina.

O destaque não se limita a cães de resgate: uma cadela-guia chamada Roselle também demonstrou grande bravura, ao levar seu dono, Michael Hingson, um homem cego, a um lugar seguro logo após o primeiro avião atingir o World Trade Center.
Por fim, provavelmente o cão de resgate mais famoso na época foi Apollo, outro pastor alemão que foi o primeiro a socorrer o local de ataque, como também, depois, recebeu um prêmio em nome de todos os demais cachorros de busca e salvamento.
Na legenda de seu prêmio, estava escrito: “Pela coragem incansável a serviço da humanidade durante as operações de busca e salvamento em Nova York e Washington em e após 11 de setembro de 2001. Fiéis às palavras de comando e destemidos diante da tarefa, o trabalho dos cães e a devoção incansável ao dever são um testemunho para aqueles que se perderam ou ficaram feridos”.
Última heroína
Em 2016, uma cerimônia emocionante foi feita em Cypress, no Texas, na entrada do Hospital Veterinário Fairfield. Na ocasião, bombeiros e voluntários de busca e resgate se organizaram em uma fila para prestar homenagem à Bretagne — se pronuncia “Brittany” —, considerada a última cadela de busca sobrevivente dos esforços de 11 de setembro de 2001, em sua última caminhada.
Bretagne conheceu sua adestradora, Denise Corliss, em 1999, quando tinha apenas oito semanas de vida. Corliss era eletricista e bombeira voluntária no Corpo de Bombeiros de Cy-Fair e, em 2001, quando a golden retriever tinha apenas um ano, as duas foram juntar trabalhas nos resgates nas Torres Gêmeas.
A dupla trabalhou de 20 a 30 horas por semana, e eventualmente Bretagne inclusive recebeu a certificação como cão de busca da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências. Posteriormente, a cadela e Corliss também trabalharam em outros desastres, incluindo os furacões Ivan (2004), Katrina (2005) e Rita (2005).
Bretagne só se aposentou de seus trabalhos de busca aos nove anos, e depois disso continuou trabalhando como cão de serviço em uma escola primária, oferecendo a alunos pequenos e com necessidades especiais companhia e conforto. Em 2014 ela foi finalista do prêmio American Humane Association Hero Dog Award.

Porém, em 2016, Corliss percebeu que Bretagne já não estava mais com a mesma saúde de quando mais jovem, e soube que era hora de a cadela ser sacrificada após ela passar três dias sem comer. “Ela estava muito ansiosa ontem à noite e só queria ficar comigo. Então, me deitei com ela, bem ao lado. Quando ela conseguiu me sentir, se acalmou e dormiu. Dormi com ela assim a noite toda”, disse ela na época ao Today.
Foi no dia seguinte a isso que membros do Corpo de Bombeiros e socorristas compareceram para a homenagem, enquanto Corliss e Bretagne se dirigiam à clínica veterinária, e depois, quando a cadela saiu de lá coberta por uma bandeira. “Esta foi uma pequena forma de prestarmos homenagem a uma cadela que realmente foi uma heroína”, disse o capitão do corpo de bombeiros voluntários de Cy-Fair, David Padovan, ao Today. “Só porque ela é uma K9 não a torna menos parte do nosso departamento do que qualquer outro membro”.