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De carruagens até jipe fantasma: os carros que assombram as estradas

Ao longo dos séculos, lendas urbanas envolvendo veículos amaldiçoados arrepiam civilizações em todo o mundo

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

Por Fabricio Azevedo

Quando você para e pensa, carros são uma coisa ameaçadora. Máquinas complexas que se movem muito rápido e que podem facilmente ceifar uma vida. Um veículo que se integrou tanto ao nosso dia a dia que se tornou objeto de paixões… e de histórias tenebrosas. Nada como o Halloween para lembrar de algumas lendas de arrepiar. 

O Opala Negro

Uma das lendas urbanas mais famosas do Brasil é o Opala Negro. O Opala era um carro imponente e muito popular entre os anos 1960 e 1980, produzido no país pela Chevrolet. Uma das versões diz que um carro negro, normalmente um Opala, sequestrava crianças que nunca mais foram vistas. A história reflete um mito da antiga União Soviética dos anos 1970 e 1990, onde o carro era um Volga de cor negra e com rodas e cortinas brancas. Crianças também seriam sequestradas para tráfico de órgãos. Dependendo da versão, esse carro era dirigido por um padre ou uma freira. 

Outra versão da lenda é mais detalhada e sobrenatural. Em 1974, um notório criminoso da Zona Norte do Rio de Janeiro chamado Ubiratã Carlos de Jesus, o Carlão da Baixada, estava fugindo da polícia após cometer um crime. Durante a fuga, o Opala de Carlão chocou-se com um carro de uma família no Túnel Rebouças e todos morreram. Segundo a lenda, um carro negro começa a perseguir carros no túnel até causar um acidente. A única maneira de se salvar é rezar pelas almas da família que morreu.

O Jipe Fantasma

Uma lenda um pouco mais benigna, é a do Jipe-Fantasma. Muitos guias e turistas juram que viram dois fachos de luz e um som de motor nas dunas do Parque das Sete Cidade no Piauí, mas nenhum carro. Quem tentou seguir a aparição, acabam vendo a luz desaparecer no ar, sem deixar nenhuma marca de rodas na areia. Versões semelhantes também acontecem em outros lugares, como nos Lençóis Maranhenses. Nesse caso, um jipe dos anos 1970 se move silenciosamente e sem motorista. Quando alguém tenta se aproximar o carro desaparece em pleno ar.

Carruagens assombradas

Mas muito antes dos automóveis, mitos de veículos malditos já eram comuns. Na Irlanda, um país pródigo em lendas de deixar os cabelos em pé, tem o cocheiro Dullahan, uma versão de um cavaleiro sem cabeça. Ele montaria um grande cavalo negro, usando um chicote feito da espinha dorsal de uma pessoa, ou seria o cocheiro da carruagem que seria o prenúncio da morte. Onde ela parasse, um falecimento ocorreria. 

Mas nós temos a nossa própria carruagem fantasma e baseada em uma personagem muito real. As noites de quinta para sexta em São Luís do Maranhão podem ser assombradas pela carruagem de Ana Jansen. Nascida em 1778, Ana se tornou uma mulher poderosa, sendo apelidada até de a “Rainha do Maranhão”. A família dela era da pequena nobreza arruinada e veio para o Brasil tentar enriquecer. Ana era uma mulher independente e geniosa, algo incomum no contexto histórico do século 19. Ana engravidou e acabou expulsa de casa, se tornando uma mulher de “má-reputação”. Com o tempo ela caiu nas graças de um português rico com quem viria a se casar. Após a morte do marido, ela assumiu os negócios, aumentou muito a fortuna e também se envolveu na política.  

Com uma biografia dessas, Ana Jansen criou vários inimigos e ganhou a fama de ser uma mulher cruel, que explorava as pessoas e maltratava muito seus escravos. Por esse comportamento, ela teria sido eternamente condenada a ser conduzida em sua carruagem negra, guiada por um escravo sem cabeça e com cavalos também decapitados. Ela carregaria velas acesas pedindo orações para libertar a sua alma

Nessa época do Dia das Bruxas, quando o véu com o mundo dos espíritos se ergue um pouco e as criaturas das sombras ficam agitadas, um conselho: se você ouvir cavalos do nada ou um carro misterioso surgir na escuridão, não vá atrás investigar. Faça as orações que você gostar e vá para casa.

 


Sobre o autor: Fabricio Azevedo é jornalista formado pela UnB, com graduação em Publicidade e Marketing, além de mestrado em História e pós-graduação em Economia para Jornalistas. Atua como assessor de comunicação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), colaborador da Revista Digital da UBC e colunista da Editora Perensin. Agora estreia no universo literário com A Mulher de Negro.  

Instagram do autor: @fabricio.azevedo73