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Com apenas duas celas e sem janelas: conheça a menor prisão do mundo

Construção modesta localizada em ilha remota é apontada como a menor prisão do mundo pelo Livro dos Recordes

A prisão de Sark - Crédito: Divulgação/Sark Estate

De acordo com o Livro dos Recordes, a pacata Ilha de Sark, que faz parte do arquipélago das Ilhas do Canal da Mancha, abriga a menor prisão do mundo. A construção modesta, que mais se assemelha a um pequeno galpão de pedra, sem janelas e com apenas duas celas, fica localizada no centro da ilha, nas imediações do centro de visitantes, e é cortada por um corredor longo e estreito que atravessa todo o edifício.

O prédio atual foi concluído em 1856, após décadas de atrasos causados pela falta de recursos. No interior, a simplicidade impressiona: a cela maior mede cerca de 1,8 metro por 2,4 metros, enquanto a menor tem 1,8 metro por 1,8 metro. Ambas contêm apenas camas rudimentares feitas de tábuas de madeira, cobertas por colchões finos.

Raramente utilizada

Embora a prisão ainda esteja oficialmente em funcionamento, seu uso é raro. Longe de abrigar criminosos perigosos por longos períodos, as celas servem principalmente para manter pessoas embriagadas sob custódia por algumas horas, até que possam retornar em segurança para casa. Casos mais graves são encaminhados para Guernsey, outra ilha do Canal da Mancha, onde há uma estrutura judicial mais robusta.

De acordo com informações do portal UOL, a edificação do século 19 não foi a primeira prisão de Sark. Uma versão anterior havia sido erguida logo após a derrota da Invencível Armada, em 1588, com o objetivo de proteger a ilha contra possíveis invasões. No início da década de 1830, surgiu a ordem para construir uma prisão maior e mais adequada, mas o projeto só saiu do papel em 1856, por limitações financeiras.

Uma pequena ilha

Apesar da porta verde pesada e das grossas paredes de pedra, o edifício está longe de transmitir a atmosfera intimidadora típica de centros de detenção. Essa característica reflete o próprio caráter de Sark, uma das menores ilhas do arquipélago, com menos de 5 quilômetros de comprimento e cerca de 1,6 quilômetro de largura. A ilha, que tem uma população de aproximadamente 600 habitantes e é acessível exclusivamente por barco, não conta com carros nem postes de iluminação pública e recebe apenas um número reduzido de visitantes ao longo do ano.

Politicamente, Sark integra as Dependências da Coroa Britânica, mas mantém um alto grau de autonomia. A ilha conta com seu próprio parlamento, uma constituição própria e um sistema jurídico singular, fortemente influenciado pelo direito normando. Somente em 2008 foi realizada a primeira eleição geral da história local. Antes disso, Sark era governada por um senhor feudal, o Seigneur, título criado na era elisabetana. O primeiro a ocupar o cargo foi Hellier de Carteret, nomeado por Elizabeth I em 1565.

Detento mais famoso

Entre os episódios mais curiosos ligados à pequena prisão está a passagem de André Gardes, um físico nuclear francês que se tornou seu detento mais famoso. Em 1990, convencido de ser o legítimo Seigneur de Sark, Gardes tentou conquistar a ilha sozinho. No dia anterior ao ataque, ele remou até Sark e espalhou cartazes detalhando seu plano de invasão e a restauração de seu suposto reinado.

As autoridades locais, alertadas com antecedência, estavam preparadas. No dia seguinte, Gardes retornou conforme anunciado, armado com um fuzil semiautomático. A tentativa foi rapidamente frustrada: ele levou um soco no nariz, foi dominado e acabou preso na minúscula cadeia da ilha. Persistente, tentou repetir a façanha no ano seguinte, mas foi reconhecido antes mesmo de desembarcar. Dessa vez, foi detido e entregue ao governo francês, encerrando de vez seu plano ambicioso e desastrado. Ainda hoje, a arma utilizada por Gardes pode ser vista em exibição no Museu de Sark.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.