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A vala comum onde foram encontrados os restos mortais de 18 soldados nazistas

Uma equipe de arqueólogos encontrou na Polônia uma vala comum com os restos mortais de quase duas dezenas de paraquedistas alemães mortos no final da Segunda Guerra

Esqueletos foram encontrados junto a vários artefatos de guerra - Crédito: Facebook/POMOST

Arqueólogos que atuavam em escavações na Polônia fizeram uma impressionante descoberta no ano de 2020. Eles localizaram, na época, uma vala comum contendo os restos mortais de 18 paraquedistas alemães mortos nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial. O achado, que também revelou uma série de objetos, como armas, medalhas e itens de uso pessoal, se deu após moradores da pequena localidade de Kożlice encontrarem indícios do enterro e alertarem especialistas.

A investigação passou então a ser conduzida pelo Laboratório de Pesquisa Histórica e Arqueológica Pracownia Badań (POMOST). De acordo com informações divulgadas pela Fox News, a equipe conseguiu determinar que os restos pertenciam a integrantes da Luftwaffe, a força aérea da Alemanha nazista. A identificação foi possível graças às plaquetas militares encontradas junto aos corpos e a um artefato de aço gravado com o emblema da corporação.

Lado a lado

Conforme destaca o comunicado da organização, os esqueletos estavam dispostos lado a lado, o que sugere que o enterro coletivo foi realizado às pressas, possivelmente em 1945. Segundo Tomasz Czabanski, presidente da instituição responsável pelas escavações, a região apresenta numerosos vestígios de confrontos e diversos túmulos individuais já foram encontrados nas redondezas.

Ele destacou ainda o papel fundamental dos habitantes locais, que frequentemente acompanham as escavações e compartilham relatos:

Também acontece muito frequentemente que eles vêm ver escavações, contar suas histórias e é assim que aprendemos sobre outros túmulos não identificados”, disse Czabanski, de acordo com informações do portal All That’s Interesting.

Itens encontrados

Entre os objetos recuperados estavam uma mira antiaérea reserva para metralhadora, um relógio de bolso e, sobretudo, uma Cruz Espanhola, uma condecoração concedida a militares que demonstraram bravura durante a Guerra Civil Espanhola. A presença dessa medalha estabelece uma ligação direta com a intervenção alemã naquele conflito, quando Adolf Hitler apoiou o regime de Francisco Franco enviando a Legião Condor para atuar em território espanhol.

Uma ferramenta de aço gravada com o símbolo da Luftwaffe – Crédito: Divulgação/Facebook/POMOST

Uma região estratégica

Kożlice não era apenas uma zona rural ocupada, mas tinha importância estratégica para os alemães. A poucos quilômetros dali funcionava uma base aérea da Luftwaffe, o que leva os pesquisadores a acreditar que os paraquedistas estavam estacionados nesse complexo militar. A instalação foi posteriormente atacada pelas forças de Joseph Stalin durante o avanço do Exército Vermelho em janeiro de 1945. Antes da chegada soviética, tropas alemãs em retirada destruíram parte da base e deixaram um contingente reduzido para tentar conter o avanço inimigo.

Como primeiro país invadido pela Alemanha nazista, em setembro de 1939, a Polônia permanece repleta de vestígios do conflito. Descobertas recentes incluem um diário atribuído a um oficial da SS que pode indicar o paradeiro de bens saqueados durante a guerra, além de um baú contendo objetos de prata, como cálices e talheres, encontrado nas proximidades de um antigo castelo de 600 anos utilizado por forças alemãs.

Os restos mortais dos 18 soldados passaram por análises antes de serem sepultados em um cemitério militar na cidade de Wrocław.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.