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A impressionante urna de 2.600 anos em formato de casa descoberta na Polônia

Durante a construção de um centro de distribuição na Polônia, uma urna funerária da Idade do Ferro com a forma de uma pequena casa foi descoberta

Urna funerária descoberta na Polônia / Crédito: Divulgação/Museu Arqueológico de Gdansk

No fim da Idade do Bronze, a região da Pomerânia Oriental — região histórica e geográfica que cobre o norte da Polônia e da Alemanha, na costa sul do mar Báltico — sofreu inúmeras mudanças culturais. Nesse momento, os habitantes pré-históricos começaram a abandonar os cemitérios funerários comuns, em especial aqueles localizados na Cassúbia central, no norte da Polônia.

Por volta do século 8 a.C., o povoamento então se deslocou consideravelmente para o norte, ocupando as áreas costeiras da região, o Planalto de Żarnowiec e o norte do Distrito dos Lagos da Cassúbia. E foi nesta última área mencionada que, em 2023, arqueólogos poloneses realizaram uma descoberta impressionante.

Conforme repercute o All That’s Interesting, durante as obras para a construção de um centro de distribuição para os supermercados da rede Lidl, na vila de Bożepole Wielkie, um túmulo feito de lajes de pedra cuidadosamente colocadas foi encontrado. E lá estava uma impressionante urna funerária em forma de casa.

Segundo descrito em comunicado do Museu Arqueológico de Gdansk, a urna possui um formato retangular, com laterais longas e teto inclinado, de maneira bastante semelhante às antigas casas que existiam na região. Ela se apoia em nove pernas, e possui também uma pequena porta redonda, em uma das laterais mais longas.

Sepultura no local da descoberta / Crédito: Divulgação/Museu Arqueológico de Gdansk/Fundação do Patrimônio Arqueológico

Dentro da urna

Logo após a descoberta, a urna foi encaminhada ao Museu Arqueológico de Gdansk, onde especialistas puderam colocá-la sob análise, a fim de preservá-la e estudá-la mais profundamente, segundo comunicado. Os arqueólogos a submeteram a uma tomografia computadorizada, e com isso acabaram descobrindo que, infelizmente, o artefato tinha múltiplas rachaduras em sua estrutura.

De maneira mais específica, os pesquisadores apontaram que a urna estava tão danificada, que ela só permaneceu intacta durante milênios graças ao solo e aos restos humanos que a preenchiam. Agora, ela já passou por um extenso processo de conservação e preservação — incluindo a criação de réplicas de alguns pés que faltavam —, e recentemente foi exposta ao público pela primeira vez.

E, além dos danos, a tomografia também revelou que, dentro da urna, havia os restos mortais de mais de uma pessoa. Os pesquisadores identificaram os restos mortais de um homem adulto e de uma criança com menos de 10 anos; posteriormente, também encontraram os restos de outras duas pessoas, uma delas uma mulher.

Segundo os estudos realizados, todos os corpos foram queimados em uma pira, e, dentro da urna, havia cerca de três quilos de ossos cremados ao todo.

Urna no momento da descoberta / Crédito: Divulgação/Museu Arqueológico de Gdansk/Fundação do Patrimônio Arqueológico

Descoberta rara

Vale destacar que urnas em formato de casa, como esta descoberta em 2023, são consideradas extremamente raras entre os achados arqueológicos da Polônia. Acredita-se que elas tenham sido bastante comuns na Pomerânia Oriental na antiguidade, mas somente cerca de uma dúzia foi descoberta até hoje.

Na antiga cultura pomerana, segundo o All That’s Interesting, urnas incomuns eram como uma marca registrada. Esses antigos grupos colocavam as cinzas do falecido em urnas, junto a pequenos ornamentos — geralmente feitos de bronze — e, depois, elas são enterradas em uma cova feita de lajes de pedra. Outro tipo de recipiente já encontrado são as urnas faciais, que exibiam rostos humanos estilizados, possivelmente representando o falecido.

No entanto, urnas em forma de casa são consideravelmente mais raras. Segundo os pesquisadores, elas podem ter sido criadas para representar um lar ou uma vida após a morte para os falecidos. Há também quem afirme que essas urnas podem ter sido influenciadas por outras práticas funerárias do Mediterrâneo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.