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A complexa cidade maia enterrada no coração de uma selva no México

Em 2023, arqueólogos descobriram no coração da reserva ecológica de Balamakú, na Península de Yucatán, no México, uma impressionante cidade maia

Imagem de LiDAR de antiga cidade maia descoberta no México / Crédito: Divulgação/INAH/Ivan Ṡprajc

Entre 2000 a.C. e 1521 d.C., vigorou aqui pelas Américas uma das civilizações antigas mais prolíficas que já existiu: os maias. Eles se estenderam por uma vasta região que englobou o sul do atual México, a Guatemala, Belize, parte de Honduras e El Salvador, cobrindo uma área de florestas tropicais e terras altas, com centros urbanos complexos e uma ampla rede de cidades-estado interconectadas.

Apesar do colapso da civilização maia, que se deu após a chegada dos espanhóis na região em que viviam, devido a várias guerras, doenças e crises hídricas, até hoje arqueólogos fazem descobertas impressionantes sobre este antigo povo mesoamericano. E com o avanço de tecnologias de pesquisa e busca, cada vez mais detalhes sobre o passado das Américas são revelados.

Em 2023, reserva ecológica de Balamakú, localizada na Península de Yucatán, no México, revelou uma fascinante perspectiva sobre uma antiga cidade maia, possivelmente de grande importância regional. Com mais de mil anos de história, esta cidade permaneceu desconhecida até os dias atuais, sendo redescoberta por meio de tecnologia avançada de escaneamento aéreo (LiDAR) e investigações arqueológicas em campo.

Uma equipe de pesquisa, liderada pelo professor esloveno Ivan Ṡprajc, que está à frente de projetos na Península desde 1996, utilizou dados obtidos do escaneamento aéreo para localizar o sítio arqueológico, que apresenta edificações complexas, praças e até mesmo um local para jogos de bola.

Ocomtún

O sítio arqueológico, denominado Ocomtún — que significa “coluna de pedra” em maia yucateco — é marcado por várias estruturas piramidais que se elevam a mais de 15 metros. Situado em um terreno elevado e cercado por extensos pântanos, abrange uma área de aproximadamente 50 hectares, incluindo três praças rodeadas por impressionantes edifícios e grupos de pátios, conforme relatado pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH).

Coluna de pedra descoberta na cidade maia / Crédito: Divulgação/INAH/Ivan Ṡprajc

De acordo com Ṡprajc, “entre as duas praças maiores estende-se um complexo composto por várias estruturas baixas e alongadas, dispostas quase em círculos concêntricos; inclui também um campo de jogo de bola”, afirmou em comunicado.

Uma calçada conecta o complexo sudeste à seção noroeste, onde se encontra a maior construção do local: uma acrópole retangular com dimensões de 80 metros e altura aproximada de 10 metros, ao lado da qual se ergue uma pirâmide com 25 metros acima do terreno natural, conforme repercute o Popular Mechanics.

Durante as investigações no sítio Ocomtún, a equipe continuou a descobrir estruturas que se estendiam em direção ao Rio La Rigueña, incluindo escadarias, colunas monolíticas e altares centrais. Além disso, foi identificado um espaço que poderia ter servido como campo de jogo com bola ou mercados para rituais comunitários.

Centro regional

“O sítio arqueológico serviu como um importante centro regional, provavelmente durante o período Clássico (250-1000 d.C.)”, afirmou Ṡprajc. “Os tipos de cerâmica mais comuns que coletamos na superfície e em algumas trincheiras de teste são do período Clássico Tardio (600-800 d.C.); no entanto, a análise de amostras desse material nos oferecerá dados mais confiáveis ​​sobre as sequências de ocupação.”

A equipe acredita que Ocomtún passou por alterações por volta do ano 1000 d.C., sendo assim “um reflexo das mudanças ideológicas e populacionais em tempos de crise que, finalmente, no século X, levaram ao colapso da complexa organização sociopolítica e à drástica diminuição demográfica nas Terras Baixas Maias Centrais”, explica Ṡprajc.

Os vestígios da descoberta
Os vestígios da descoberta / Crédito: Divulgação/INAH

Futuras descobertas

Localizado entre 30 a 50 quilômetros de outras cidades maias descobertas na última década, a exploração da reserva ecológica Balamakú continua a proporcionar descobertas intrigantes. A recente revelação da cidade Ocomtún é considerada uma das mais significativas.

A primeira temporada de campo do projeto “Ampliação do panorama arqueológico das Terras Baixas Maias Centrais”, coordenado pela INAH e apoiado pela Universidade de Houston com o uso da tecnologia LiDAR, visa ampliar o conhecimento sobre uma vasta área praticamente desconhecida até então. Esta região cobre 3.000 quilômetros quadrados de floresta semidecídua no estado de Campeche.

O professor Ṡprajc enfatiza que os dados obtidos pelo LiDAR identificaram concentrações significativas de estruturas pré-hispânicas que compartilham características únicas em relação ao que é conhecido em outras partes da área maia. As perspectivas futuras sobre Ocomtún ainda prometem desvendar mais os mistérios dessa antiga civilização.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.