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Voluntários fazem vídeo inédito de navio naufragado há 120 anos

Expedição realizada por voluntários do Projeto Sydney registrou, no dia 18 de junho, um vídeo inédito de uma embarcação naufragada em 1904

Restos de navio registrados em vídeo
Restos de navio registrados em vídeo - Divulgação/Projeto Sydney

Quase três anos após a descoberta dos destroços do cargueiro SS Nemesis na costa de Wollongong, Austrália, mergulhadores conseguiram acessar o local pela primeira vez e registrar imagens inéditas da embarcação. A expedição foi realizada no dia 18 de junho por voluntários do Projeto Sydney e representa um marco nas investigações sobre o naufrágio ocorrido em 1904, quando uma forte tempestade afundou o navio a cerca de 160 metros de profundidade no Oceano Pacífico.

A presença do Nemesis foi inicialmente detectada em 2022 por uma empresa de sensoriamento remoto, que buscava contêineres de carga perdidos próximos à costa de Sydney. Sonar e veículos operados remotamente (ROVs) com câmeras permitiram confirmar a identidade do navio e mapear os destroços. Ainda assim, como afirmam os especialistas da Heritage NSW, nenhuma tecnologia substitui o valor da observação direta feita por mergulhadores experientes.

Segundo o portal Galileu, a equipe envolvida na missão contou com quatro mergulhadores, que levaram cerca de uma hora e meia para chegar ao ponto do naufrágio a partir do porto de Wollongong. A descida até os destroços levou nove minutos, e outros nove foram dedicados à inspeção no fundo do mar.

O líder do Projeto Sydney, Samir Alhafith, destacou a singularidade do naufrágio: “Nemesis é um naufrágio único porque tem danos significativos na parte dianteira e traseira do navio, mas outras partes do porão estão bem preservadas. A gravidade dos destroços indica a ferocidade da tempestade que o afundou. Parece que algo extremamente violento aconteceu naquele dia.”

 
 
 
 
 
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Com visibilidade acima dos 30 metros e temperatura da água em torno dos 19 °C, os mergulhadores encontraram o local repleto de vida marinha, incluindo bacalhaus, espécies tropicais e até tubarões. Apesar da beleza, o cenário também evoca a tragédia: todos os 32 tripulantes do Nemesis morreram no acidente.

Últimos momentos

Segundo Tim Smith, diretor de avaliações do Heritage NSW, as imagens capturadas são valiosas para reconstruir os últimos momentos do navio. Já foi possível, inclusive, identificar dois dos tripulantes: William Coull, de Adelaide, e Norman McLeod, de Sydney. Alhafith conclui: “Não à toa, no futuro, queremos voltar e fazer um mapeamento completo da varredura”.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.