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Valentino Garavani, o ‘último imperador’ da moda, morre aos 93 anos

Fundador da grife italiana Valentino e conhecido como o "último imperador da moda", o estilista morreu aos 93 anos em Roma, deixando um legado eterno na alta-costura

O estilista italiano Valentino Garavani, em 1993 / Créditos: Getty Images

O estilista Valentino Garavani, um dos maiores nomes da moda italiana, morreu nesta segunda-feira, 19, aos 93 anos, em Roma. Fundador da grife que leva seu nome, ele era amplamente considerado o último dos grandes costureiros do século 20. Em 2008, chegou a receber o apelido de “o último imperador” da moda, título consagrado após o lançamento de um documentário biográfico.

Ao longo de sua carreira, Valentino consolidou sua marca como uma das referências definitivas da alta-costura global. Seu estilo característico unia o glamour romântico ao luxo, criando uma identidade visual feminina, sofisticada e imediatamente reconhecível.

Esse legado é frequentemente destacado por importantes veículos da imprensa especializada, como “Harper’s Bazaar” e “W Magazine”, que creditam ao italiano a responsabilidade por moldar a percepção moderna da elegância italiana.

Formação e ascensão

Valentino Garavani nasceu em Voghera, na Itália, em 1932. Ainda jovem, decidiu seguir a carreira de estilista, uma vocação despertada pelo impacto visual dos figurinos espetaculares que via nos filmes de Hollywood. Durante seus estudos, sua técnica foi aprimorada na França, onde absorveu os códigos da alta-costura parisiense.

Após alguns anos, retornou a Roma, em 1959, onde abriu um estúdio na Via Condotti. Pouco depois, conheceu Giancarlo Giammetti, que se tornaria seu parceiro de negócios e de vida. Juntos, construíram a maison cuja estreia oficial, em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, projetou a marca imediatamente como sinônimo de luxo italiano, atraindo encomendas internacionais desde o início.

Valentino se formou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture, em Paris. Além disso, ele também foi aprendiz nas casas de Jean Dessès e Guy Laroche, experiências fundamentais para o desenvolvimento da precisão técnica que se tornaria uma das marcas centrais de sua costura.

Identidade e legado

De acordo com informações repercutidas pelo G1, a estética de Valentino é descrita pela imprensa como ultrafeminina e teatral na medida exata. Seu trabalho era marcado por linhas limpas, uso recorrente de chiffon, laços, flores e pelo contraste elegante entre preto e branco.

No entanto, o elemento que se tornou símbolo absoluto da grife italiana foi o famoso “Valentino red”, o vermelho Valentino. Esse tom passou a representar mais do que uma simples cor, transformando-se em sinônimo de glamour noturno e na personificação de uma feminilidade idealizada, ao mesmo tempo poderosa e delicada.

Valentino com Natalia Vodianova, Natalie Imbruglia e Eva Herzigova em 2008; grupo destaca o icônico tom vermelho da grife / Créditos: Getty Images

Além disso, Valentino se consolidou no mercado da moda com uma imagem internacional que sempre incluiu uma lista de clientes icônicos, como Jackie Kennedy Onassis, Elizabeth Taylor, Sophia Loren e até princesas europeias.

Sua trajetória foi além das passarelas. A rotina pessoal entre palácios, iates e eventos exclusivos ajudou a construir o mito do grande costureiro moderno. Essa aura de exclusividade permitiu que a marca se expandisse para os segmentos de acessórios e prêt-à-porter sem perder o prestígio associado ao nome Valentino.

Atualmente, o DNA criativo estabelecido pelo fundador segue preservado por meio do trabalho de diretores criativos como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli. Eles conseguiram modernizar a essência da grife, conectando o rigor técnico de Valentino às demandas e sensibilidades da nova geração.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli