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Uma rara cabeça de carneiro de Gana está escondida por militares britânicos

Militares britânicos mantêm o artefato de ouro saqueado de Gana, uma rara cabeça de carneiro, longe do acesso ao público sob justificativa de falta de segurança

A rara cabeça de carneiro dourada de Asante, mantida no refeitório de oficiais em Larkhill, na Inglaterra / Créditos: Divulgação

A Artilharia Real do Reino Unido enfrenta uma onda de pressão internacional após reiterar a proibição de acesso público a uma peça histórica saqueada no século 19.

O objeto em questão, uma cabeça de carneiro confeccionada em ouro maciço, foi retirada do antigo Império Ashanti — localizado no atual Gana — durante uma expedição militar em 1874. Atualmente, a relíquia permanece guardada no refeitório de oficiais em Larkhill, Wiltshire, longe dos olhos de historiadores e do público geral.

Barreiras institucionais e segurança

De acordo com informações do jornal The Guardian, a controvérsia ganhou força após o pesquisador e ex-correspondente da BBC, Barnaby Phillips, ter seu pedido de visita negado pela instituição.

Em resposta oficial, o regimento alegou que políticas de segurança e cláusulas de seguro impedem a exibição do artefato, que faz parte da coleção privada da unidade. Phillips, que investiga o tema para seu próximo livro, classificou a postura como irônica, visto que uma instituição militar justifica a ocultação de “espólios de guerra” por falta de segurança.

Além do valor material, a peça carrega um peso simbólico profundo. Para o povo Asante, o ouro é imbuído dos espíritos de seus ancestrais.

O historiador Ivor Agyeman-Duah, que atua nas negociações de repatriação de tesouros para o Museu do Palácio Manhyia, afirmou que pretende formalizar um contato direto com a Artilharia Real. Segundo ele, a peça é um testemunho icônico da cultura e da resistência de seu povo frente ao colonialismo britânico.

O estigma do suporte vitoriano

Especialistas sugerem que o isolamento da peça pode ter motivações além da segurança operacional. Existe a suspeita de que o regimento sinta constrangimento pelo suporte da cabeça de carneiro, encomendado em 1875. A estrutura apresenta figuras de jovens negros em trajes submissos, uma estética considerada ofensiva e de “mau gosto chocante” sob a ótica do século 21.

Enquanto museus como o British Museum já iniciaram processos de devolução por empréstimo de itens semelhantes, a Artilharia Real mantém uma postura rígida.

Através do jornal The Guardian, um porta-voz do Exército limitou-se a declarar que o acesso às instalações militares é rigorosamente controlado por questões operacionais, sem comentar especificamente sobre o futuro do tesouro de Gana.


*Sob supervisão de Éric Moreira