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Túmulo anglo-saxão de 1.400 anos revela esqueletos de dois irmãos

Análise de DNA revelou que os esqueletos encontrados em um túmulo duplo anglo-saxão de 1.400 anos eram de uma menina e seu irmão mais novo

Reconstrução artística dos irmãos no túmulos - Créditos: Neil Max Emmanuel / Time Team

Um sepultamento duplo descoberto em um cemitério anglo-saxão intrigou cientistas sobre qual seria o parentesco dos esqueletos. Recentemente, uma análise de DNA revelou qual seria a ligação entre eles.

Em setembro de 2024, arqueólogos descobriram um túmulo duplo em um cemitério anglo-saxão em Cherington, no sudoeste da Inglaterra, na sepultura havia o esqueleto de um menino de 7 a 8 anos, que estava segurando uma espada de ferro, e o esqueleto de uma adolescente com um colar e uma caixa de trabalho. Os especialistas datam esse sepultamento da segunda metade do século 7. 

Com análises de DNA nos esqueletos, foi possível identificar que o sepultamento duplo pertencia a dois irmãos, confirmando um vínculo familiar em um túmulo anglo-saxão, algo raro entre eles. Segundo o comunicado do Time Team, é bem provável que os irmãos tenham morrido ao mesmo tempo e devido a uma doença infecciosa de rápida progressão

O achado do sepultamento foi apresentado pela equipe do programa Time Team, durante um episódio lançado em janeiro. O resultado da análise de DNA só foi anunciado em 14 de abril no podcast do Time Team. 

Análises de DNA

A osteoarqueóloga que fez parte das escavações, Jacqueline McKinley, revelou no podcast o resultado da análise feita nos esqueletos. “Agora eu sei qual é o parentesco deles: eram irmãos”. 

Na escavação foi possível notar que a irmã mais velha estava virada para o irmão mais novo e estava levemente mais alta que ele, indicando que ela estava apoiada em travesseiros, além disso, eles parecem ter sido enterrados ao mesmo tempo. “É uma posição reveladora […] Para mim, isso indica qual era o papel dela antes da morte dele. Ela era alguém que cuidava dele, que zelava por ele”, disse a osteoarqueóloga.

A verdadeira causa da morte dos irmãos ainda não está clara, mas McKinley suspeita que eles tenham morrido de uma doença infecciosa de ação rápida, visto que, eles morreram ao mesmo tempo. Ela acredita que provavelmente a irmã pegou alguma coisa de seu irmão e por isso eles morreram ao mesmo tempo.

Entretanto, análises adicionais devem esclarecer qual o verdadeiro motivo da morte de ambos. Apesar da possibilidade de nova análise, McKinley, explicou que existem fatores que podem limitar a descoberta, algumas bactérias que podem causar doenças fatais não deixam seu DNA, a sepse e a meningite são exemplos disso. 

Atualmente, Jacqueline McKinley está trabalhando em um cemitério de sepulturas duplas anglo-saxão próximo a região onde o anterior foi encontrado. Análises de DNA foram realizadas nessas sepulturas, mas, até o momento, os resultados não mostraram nenhum grau de parentesco entre eles, disse ela.

O parentesco entre os enterrados ajuda a confirmar que os povos anglo-saxônicas incluíam adoção, acolhimento familiar e redes familiares extensas, repercutiu a Live Science Plus. 

A arqueóloga da equipe do Time Team e especialista em anglo-saxões, Helen Geake, revelou no podcast que a descoberta dos irmãos abre uma perspectiva totalmente nova. “Imediatamente, nossos pensamentos se voltam para a família e para a terrível tragédia que deve ter sido perder duas crianças ao mesmo tempo”, finalizou. 


*Sob supervisão de Giovanna Gomes