Tumba de Amenhotep III reabre ao público após restauração
Após mais de 3.000 anos de história e décadas de deterioração, sepultura do faraó é reinaugurada com apoio da Unesco e do Japão

A tumba do faraó Amenhotep III, uma das maiores e mais ricamente decoradas dos vales dos Reis e das Rainhas, foi oficialmente reaberta ao público no último sábado, 4, no sul do Egito, após um longo e cuidadoso processo de restauração. A cerimônia de reinauguração foi conduzida pelo ministro egípcio do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, que apresentou à imprensa a impressionante estrutura de mais de 3.000 anos.
Esculpida na encosta de uma colina na margem ocidental do Nilo, em frente à cidade de Luxor, a tumba pertence ao faraó que governou por cerca de 40 anos durante um dos períodos mais prósperos do Egito Antigo. Segundo a missão japonesa da Unesco, os murais preservados no local estão entre os mais belos da 18ª dinastia, refletindo o esplendor artístico da época.
A tumba foi documentada pela primeira vez em 1799, durante a breve ocupação napoleônica no Egito, e desde então passou por sucessivas escavações, saques e danos estruturais. Décadas de deterioração colocaram a estrutura em risco de desmoronamento, tornando essencial a restauração — que contou com a colaboração do governo japonês e da Unesco.
História
O faraó Amenhotep III, que subiu ao trono ainda adolescente e morreu por volta de 1349 a.C., foi enterrado na Necrópole de Tebas, onde também estão sepultados outros membros da elite egípcia entre os séculos 16 e 11 a.C. Apesar de a tumba ter perdido muitos de seus artefatos originais para museus como o Louvre (França), o Met (EUA) e o Castelo de Highclere (Reino Unido), a reabertura do local devolve ao público parte de seu valor histórico e espiritual.
Segundo a ‘Folha de São Paulo’, a múmia e o sarcófago do faraó estão preservados no Museu Nacional da Civilização Egípcia, no Cairo, enquanto estátuas monumentais do rei e de sua esposa podem ser vistas no Museu Egípcio de Tahrir e no novo Grande Museu Egípcio.
Nas proximidades da tumba, o templo funerário de Amenhotep, conhecido como Kom el-Hetan, também carrega marcas do tempo e das inundações do Nilo. No entanto, os icônicos Colossos de Mêmnon — duas estátuas de granito com cerca de 18 metros de altura — ainda resistem, recepcionando visitantes e mantendo viva a grandiosidade do reinado de Amenhotep III.