Tudo que sabemos sobre o vírus Nipah até agora
Especialistas ressaltam que o risco do vírus Nipah chegar e se disseminar no Brasil é considerado baixo no momento

O mundo voltou a colocar os olhos sobre o vírus Nipah (NiV), um patógeno zoonótico altamente letal, após a confirmação de novos casos na Índia nesta semana. Embora raro, esse vírus figura entre os agentes infecciosos mais perigosos monitorados globalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Nipah é um vírus da família Henipavirus, transmitido principalmente por morcegos frugívoros (do gênero Pteropus), conhecidos como “morcegos-da-fruta”. Ele pode infectar diversos animais — incluindo porcos — e, eventualmente, humanos, causando desde infecções assintomáticas até quadros graves de doença respiratória e encefalite (inflamação cerebral).
Vírus letal
A infecção pelo Nipah é considerada extremamente perigosa: a taxa de letalidade pode variar de cerca de 40 % a 75 % dos casos, dependendo da capacidade do sistema de saúde e do surto específico. O vírus normalmente se transmite aos humanos por meio do contato direto com secreções de animais infectados, frutas ou alimentos contaminados, ou por transmissão entre pessoas em contato próximo com fluidos corporais de infectados.
Os sintomas iniciais podem incluir febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta e vômitos, evoluindo em alguns casos para tonturas, confusão, convulsões, coma e, em situações graves, falência de órgãos.
O vírus foi identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia, durante um surto entre trabalhadores de fazendas de suínos, quando mais de 100 pessoas morreram. Desde então, episódios esporádicos ocorreram, especialmente em Bangladesh e na Índia. Em 2018, por exemplo, um surto no estado de Kerala, sul da Índia, causou dezenas de óbitos e mostrou quão letal o vírus pode ser.
Risco de transmissão
Especialistas consultados pelo jornal O Globo ressaltaram que o risco do vírus Nipah chegar e se disseminar no Brasil é considerado baixo no momento, apesar de existir um risco teórico por conta das viagens internacionais.
Entre os motivos de menor risco por aqui estão a ausência das principais espécies de morcegos, que atuam como reservatórios naturais do vírus nas Américas, e a limitada capacidade de transmissão entre humanos, ao contrário de vírus altamente contagiosos como o SARS-CoV-2.
As autoridades de saúde brasileiras mantêm protocolos de vigilância e resposta para agentes patogênicos, e até agora não há casos detectados no país.
Atualmente, o Nipah não tem vacina aprovada nem tratamento antiviral específico. O manejo clínico é feito com cuidados de suporte aos pacientes, focados em aliviar sintomas e complicações. Algumas vacinas candidatas estão em desenvolvimento, mas nenhuma foi licenciada.