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Trump rebatiza o Kennedy Center com seu nome e gera debate

A decisão de Trump de inserir o próprio nome em um memorial federal dedicado a JFK levanta dúvidas sobre legalidade, tradição e uso político

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso em 17 de dezembro de 2025 / Créditos: Getty Images

O presidente Donald Trump rebatizou o Kennedy Center, anexando seu nome ao histórico memorial de artes cênicas de Washington. A medida é mais um episódio de uma série de ações recém-tomadas pelo presidente sem a aprovação do Congresso americano.

Além disso, em 17 de dezembro, Trump mandou fixar mensagens abaixo dos retratos de ex-presidentes em um corredor da Casa Branca. No entanto, as biografias, escritas sob a ótica de seu governo, foram interpretadas por críticos mais como provocações do que como homenagens.

Mudança inédita

Com a mudança, o local, que é uma instituição federal, passou a se chamar Trump–Kennedy Center. A decisão de homenagear um presidente ainda em exercício é inédita. Embora ações desse tipo já não causem surpresa durante o governo Trump, a medida levanta dúvidas sobre sua legalidade, já que alterações no nome de um memorial federal exigiriam aprovação do Congresso americano.

No início do ano, em fevereiro, Trump reformulou completamente o conselho curador do Kennedy Center, que passou a ser presidido por ele. De acordo com informações repercutidas pelo G1, a nova composição inclui Usha Vance, esposa do vice-presidente, e a chefe de Gabinete da Casa Branca, Suzie Wiles, que votaram automaticamente pela renomeação da entidade.

Apesar disso, Trump afirmou ter sido surpreendido pela homenagem. “Bem, fiquei honrado. É um conselho muito distinto, composto pelas pessoas mais ilustres do país. E fiquei surpreso. Fiquei honrado”, declarou o presidente.

Reações e críticas

Nas redes sociais, a jornalista e escritora Maria Shriver, sobrinha do ex-presidente americano John F. Kennedy, manifestou indignação diante da mudança. Ela se juntou a historiadores, lideranças democratas e membros do clã Kennedy que se opuseram à alteração do nome do local.

Será que não conseguimos ver o que está acontecendo aqui? Vamos lá, meus compatriotas americanos! Acordem! Isso não é digno. Isso não tem graça. Isso está muito abaixo da estatura do cargo. É simplesmente bizarro. É obsessivo de um jeito estranho. Justo quando você pensa que alguém não pode se rebaixar mais, essa pessoa se rebaixa”, postou Shriver nas redes sociais, referindo-se ao presidente Trump.

Em 1964, o Kennedy Center foi batizado em homenagem ao presidente assassinado no ano anterior, por meio de uma lei aprovada pelo Congresso. A legislação também proíbe o conselho administrativo de transformá-lo em memorial dedicado a qualquer outra pessoa.

Em comunicado conjunto, os líderes democratas na Câmara e no Senado, Hakeem Jeffries e Chuck Schumer, questionaram a legalidade da mudança de nome e sinalizaram que a medida pode ser apenas a primeira de uma série de ações do atual presidente, indicando que novos embates ainda estão por vir.

Apesar das críticas, a alteração já entrou em vigor. O site oficial do centro foi atualizado e, desde sexta-feira, 19, a fachada passou a exibir o nome de Trump adicionado acima do de seu antecessor.