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Transplante de esôfago artificial tem sucesso em porcos e visa testes em humanos

Órgão criado em laboratório com células do receptor funcionou sem qualquer rejeição; avanço histórico abre caminho a ensaios clínicos em humanos

Fotografia de porcos / Crédito: Getty Images

Um experimento publicado na revista Nature Biotechnology promete abrir um novo caminho para transplantes em humanos. Cientistas do University College London criaram um segmento de esôfago em laboratório que foi implantado com sucesso em porcos.

Desse modo, os animais conseguiram recuperar funções vitais essenciais, como beber água e engolir alimentos sólidos sem qualquer dificuldade técnica.

Durante os seis meses de acompanhamento pós-cirúrgico, a maioria dos suínos sobreviveu e apresentou um crescimento saudável. Por conseguinte, o estudo entregou a primeira evidência robusta de que órgãos complexos podem ser fabricados sob medida e integrados perfeitamente ao corpo.

Técnica de bioengenharia

De acordo com informações do jornal O Globo, para alcançar o feito, a equipe médica utilizou uma matriz extracelular de esôfago animal, previamente esvaziada de suas células originais por processos químicos. Em seguida, os especialistas coletaram biópsias dos próprios porcos receptores para gerar células-tronco musculares e estruturais.

Essas novas células foram meticulosamente injetadas na matriz limpa, que posteriormente amadureceu dentro de um biorreator sob fluxo constante de oxigênio e nutrientes.

Como resultado direto dessa abordagem personalizada, o risco de rejeição imunológica pelo organismo receptor foi praticamente eliminado, dispensando a necessidade de doadores compatíveis.

Regeneração celular

Após o implante no tórax dos animais, os pesquisadores notaram que o novo tecido rapidamente desenvolveu músculos, vasos sanguíneos e nervos próprios. Além disso, exames de pressão interna comprovaram que o enxerto não funcionava apenas como um tubo passivo, mas participava ativamente das contrações peristálticas.

Esse movimento mecânico coordenado é fundamental para empurrar o bolo alimentar de forma segura até o estômago. Sob o mesmo ponto de vista, o cirurgião australiano Andrew Barbour destacou que a capacidade de recriar um órgão com componentes exatos e funcionamento normal é um avanço clínico formidável.

Aplicações futuras

A princípio, a inovação traz enorme esperança para a medicina pediátrica, visando resolver casos de atresia de esôfago, uma malformação congênita severa. Atualmente, bebês com essa condição passam por múltiplas cirurgias paliativas que muitas vezes geram complicações respiratórias crônicas e severos problemas de refluxo.

Além desse grupo, adultos que perderam partes do trato digestivo devido a tumores agressivos ou acidentes químicos também poderão ser diretamente beneficiados pela técnica. Segundo o líder do estudo, Paolo De Coppi, a equipe agora foca em produzir segmentos maiores, e testes clínicos em humanos podem iniciar em até quatro anos.


*Sob supervisão de Éric Moreira