Estudo revela que oxigênio impulsionou o surgimento da vida complexa
Estudo revela que oxigênio impulsionou o surgimento da vida complexa ao mostrar que micróbios Asgard já toleravam o elemento antes dos eucariotos

Cientistas deram um passo fundamental para desvendar o mistério sobre as origens da vida complexa na Terra. Uma nova investigação genética indica que os micróbios ancestrais, conhecidos como Asgard, já se adaptavam ao oxigênio antes mesmo da fusão celular que originou os eucariotos.
O estudo, publicado na revista Nature e detalhado pelo professor Brett Baker, da Universidade do Texas, sugere que a transição para organismos com núcleo definido dependeu dessa vantagem energética.
Até então, a ciência acreditava que esses ancestrais viviam exclusivamente em ambientes isolados e sem oxigênio, como fontes hidrotermais. No entanto, o sequenciamento de DNA de linhagens encontradas em sedimentos costeiros rasos revelou genes capazes de processar oxigênio.
Essa descoberta explica como esses micróbios puderam coexistir e se fundir com bactérias em ambientes oxigenados, um evento ocorrido há cerca de dois bilhões de anos.
O elo perdido de Asgard
Os micróbios do superfilo Asgard, nomeados em homenagem à mitologia nórdica, são considerados o “elo perdido” da evolução. Organismos como o Heimdallarchaeia possuem vias metabólicas de alta energia e proteínas semelhantes às das células humanas. Segundo Brett Baker, esses seres não inventaram o metabolismo do oxigênio do zero, mas já possuíam os componentes básicos necessários para evoluir rumo à complexidade de plantas e animais.
De acordo com informações da CNN Brasil, a pesquisa utilizou modelos de inteligência artificial para identificar como as proteínas desses micróbios se dobram e funcionam. Os resultados mostram que a Grande Oxidação da Terra forneceu o cenário ideal para que os Asgard prosperassem.
Para o biólogo Buzz Baum, do Laboratório de Biologia Molecular de Cambridge, entender esse cronograma é crucial, pois esses microorganismos são os parentes vivos mais próximos da linhagem humana original.
Futuro da evolução em laboratório
Embora as evidências genéticas sejam robustas, pesquisadores como Burak Avci e Daniel Brady Mills alertam que ainda há uma lacuna temporal de bilhões de anos.
Por isso, o próximo grande objetivo da comunidade científica é cultivar espécimes de Asgard em laboratório. O intuito é observar em tempo real o processo de eucariogênese, ou seja, a transformação de micróbios simples em células complexas.
A expectativa de Baker é que esse marco seja alcançado na próxima década. A confirmação biológica dessas previsões genéticas pode finalmente encerrar o debate sobre como a vida deixou de ser meramente unicelular. “Entender como os eucariotos se formaram é uma grande transição na evolução”, afirmou o pesquisador à CNN, destacando que o oxigênio foi a peça que faltava para completar esse quebra-cabeça biológico.
*Sob supervisão de Éric Moreira