Sítio arqueológico pré-colonial é aberto ao público no Tocantins
Área reconhecida pelo Iphan reúne vestígios ligados aos Avá-Canoeiro e passa a receber visitantes mediante agendamento em Talismã

O município de Talismã, no sul do Tocantins, oficializou a abertura para visitação pública do Sítio Arqueológico Furtunato Pinto do Nascimento, uma área reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por preservar importantes vestígios do período pré-colonial. A iniciativa busca ampliar as ações de preservação histórica, pesquisa científica, educação patrimonial e turismo cultural na região.
O sítio arqueológico remonta à presença de uma aldeia indígena dos Avá-Canoeiro e reúne artefatos que ajudam a compreender a ocupação humana no local antes da chegada dos colonizadores europeus. O reconhecimento da área pelo Iphan reforça sua importância para a preservação da memória e da história indígena no estado.
Como repercutido pelo G1 Tocantins, atualmente, o local permanece sob a cautela do Iphan e conta com cercas de proteção que delimitam toda a área arqueológica. Além disso, há restrições ao desenvolvimento de atividades econômicas dentro do espaço, medida adotada para garantir a conservação dos vestígios e evitar danos ao patrimônio histórico.
Vestígios revelam ocupação pré-colonial

Entre os materiais encontrados no sítio arqueológico estão fragmentos de cerâmica pertencentes à tradição Aratu/Uru, uma mão de pilão lítica e pedras lascadas utilizadas como ferramentas.
De acordo com a Prefeitura de Talismã, esses vestígios podem comprovar a presença dos Avá-Canoeiro na região até o episódio conhecido como embate da Ilha do Tropeço, ocorrido em 1740, quando tropas coloniais enfrentaram violentamente integrantes do povo indígena.
Após a identificação dos materiais durante acompanhamento técnico realizado pelo Iphan, o município publicou um decreto reconhecendo oficialmente a relevância cultural da área e estabelecendo instrumentos voltados à sua proteção.
Homenagem ao proprietário da área
O sítio recebeu o nome de Furtunato Pinto do Nascimento em homenagem ao patriarca da propriedade onde os vestígios foram encontrados.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Defesa Civil, João Carlos, foi o próprio Furtunato quem difundiu a existência dos materiais arqueológicos relacionados ao período pré-colonial. A descoberta ocorreu em 2025, após a morte do proprietário.
A denominação do patrimônio busca reconhecer sua contribuição para que a existência dos vestígios chegasse ao conhecimento dos órgãos responsáveis pela preservação histórica.
Visitação será feita mediante agendamento
Com a abertura oficial, o município pretende incentivar ações de educação patrimonial, estimular pesquisas científicas e fortalecer o turismo cultural na região.
As visitas ao sítio poderão ser realizadas mediante agendamento junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Defesa Civil ou ao Instituto Anjos da Selva.
Para o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado, a abertura do espaço representa um avanço importante para a preservação do patrimônio arqueológico local.
Segundo ele, a iniciativa fortalece a proteção da memória, da história e das referências culturais da região, permitindo que mais pessoas conheçam um patrimônio que ajuda a contar parte da ocupação indígena no território tocantinense antes do período colonial.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes